Rússia desfila tanques e mísseis pela 1ª vez desde o fim da URSS

Medvedev critica política ocidental e conflitos com motivação irresponsável em seu 1º ato público após a posse

Efe,

09 de maio de 2008 | 08h52

A primeira parada militar com mísseis intercontinentais e armamento pesado desde 1990 começou nesta sexta-feira, 9, na Praça Vermelha, no primeiro ato público presidido pelo novo governante russo, Dmitri Medvedev. Comandante Supremo das Forças Armadas, o presidente que recebeu na quarta-feira a maleta com o "botão nuclear", que permite controlar o arsenal atômico da Rússia, fez um breve discurso na tribuna instalada diante das muralhas do Kremlin e criticou os "conflitos armados" motivados por "ambições irresponsáveis". Veja também: Imagens do desfile   Medvedev criticou a política ocidental de "revisão de fronteiras" ao presidir o desfile. "Devemos levar muito a sério as tentativas de interferir nos assuntos de outros Estados. Mais ainda, as tentativas de revisar as fronteiras". Ele reiterou as críticas de seu antecessor e novo primeiro-ministro, Vladimir Putin, ao reconhecimento da independência do Kosovo pelos Estados Unidos e parte da União Européia. "Não podemos menosprezar as normas do direito internacional, sem as quais não seriam possíveis a segurança e uma ordem mundial justa", disse o novo presidente russo, jurista de formação. Além disso, Medvedev criticou veladamente os EUA, ao assegurar que a história ensina que "os conflitos militares não explodem por si próprios, mas são instigados por aqueles cujas ambições irresponsáveis se sobrepõem aos interesses de países e continentes". Ele afirmou ainda que seguirá ao pé da letra a política externa definida por seu antecessor durante os últimos oito anos. Segundo a BBC, Medvedev disse que o Exército e a Marinha estão se tornando mais fortes. Segundo a imprensa internacional, o desfile em Moscou foi uma clara demonstração de força militar. "Nosso Exército e Marinha estão ganhando força", disse o presidente. "Eles estão mais fortes, como a Rússia, e em seu poder está hoje a glória histórica do armamento russo, as tradições de vitória e o alto espírito de nosso Exército."  Mais cedo, Putin disse que o desfile das armas não é bravata, mas "uma demonstração de nossa crescente capacidade de defesa". O Kremlin insiste que o evento na Praça Vermelha – liderado por Medvedev - não tem o objetivo de ameaçar quem quer que seja. A Rússia celebra a cada 9 de maio o aniversário da vitória do Exército Vermelho sobre o nazista com uma parada na Praça Vermelha, mas esta foi a primeira com armamento pesado desde 1990.  Bandas militares e 8 mil soldados marcharam sobre a Praça Vermelha expondo armamentos pesados, como mísseis balísticos Topol-M e tanques T-90. O pavimento da Praça Vermelha teve que ser reforçado antes do desfile para suportar o peso dos tanques e das armas.  Canais de TV mostraram militares marchando em várias cidades russas, além de veteranos com o peito coberto de medalhas. A Rússia já havia feito demonstrações de seu poderio militar recentemente, incluindo a retomada de vôos de longa distância dos aviões de guerra Tupolev Tu-95, um ícone do antigo arsenal soviético. Mas, segundo analistas, apesar da demonstração de força, há evidências de que o Exército e a Marinha russos sofrem com falta de dinheiro, pouco treinamento e baixa moral.  (Com BBC Brasil)

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