Rússia diz que 128 pessoas podem ter morrido em naufrágio

Havia 208 pessoas a bordo, incluindo 25 passageiros não registrados, segundo autoridades

REUTERS

11 de julho de 2011 | 13h46

Parentes observam nesta segunda lista com nomes de vítimas do naufrágio do Bulgaria

 

MOSCOU - A Rússia informou, nesta segunda-feira, 11, que há pouca esperança de encontrar mais sobreviventes, depois do naufrágio de um barco de turismo superlotado no rio Volga. Até 128 pessoas podem ter morrido no pior acidente fluvial da Rússia em três décadas.

 

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link110 corpos foram encontrados dentro de barco

 

Oitenta pessoas foram resgatadas no domingo depois de o Bulgaria, uma embarcação de cruzeiro fluvial de dois andares construída em 1955, ter afundado a três quilômetros da margem, em um trecho largo do rio Volga, no Tatarstão.

 

O ministro das Situações de Emergência, Sergei Shoigu, disse ao presidente Dmitry Medvedev que há poucas esperanças de resgatar mais sobreviventes. Mergulhadores trouxeram para a superfície dezenas de corpos que estavam na embarcação.

 

Crianças

 

De acordo com a mídia russa, até 60 dos passageiros podem ser crianças, e sobreviventes disseram que 30 crianças tinham se reunido para brincar em um lugar perto da popa do barco minutos antes do naufrágio.

"Praticamente nenhuma criança sobreviveu. Havia muitas crianças no barco, muitas", disse a sobrevivente Natalya Makarova à televisão estatal. Ela não conseguiu segurar sua própria filha quando as duas lutavam para escapar. "Fomos sepultados vivos no barco, como se fosse um caixão de metal", disse Makarova, que escapou por uma janela. "Eu praticamente me arrastei do fundo. Minha filha de 10 anos estava comigo, eu a segurei enquanto pude, mas depois não consegui".

 

'Mau estado'

 

Medvedev disse que o acidente não teria acontecido se tivessem sido seguidas as normas de segurança. "De acordo com as informações de que dispomos agora, a embarcação estava em mau estado", disse Medvedev em reunião de ministros convocada às pressas em sua residência em Gorki, nos arredores de Moscou. "O número de embarcações velhas que temos ainda em uso é um absurdo".

 

Buscando evitar possíveis críticas das autoridades antes da eleição presidencial de março, ele pediu uma "inspeção total" de todos os veículos de transporte de passageiros na Rússia e anunciou um dia nacional de luto na terça-feira. O primeiro-ministro Vladimir Putin enviou suas condolências.

Os cruzeiros no rio Volga, que atravessa o coração da Rússia a centenas de quilômetros a leste de Moscou e deságua no mar Cáspio, são populares entre russos e estrangeiros.

Os serviços de resgate disseram que içaram 48 corpos para a superfície, mas que mergulhadores viram mais corpos presos na cabine do restaurante do Bulgaria, barco de 78 metros que, segundo o Ministério das Situações de Emergência, foi construído para até 140 passageiros.

Havia 208 pessoas a bordo, incluindo 25 passageiros não registrados, segundo o ministro Shoigu. Uma porta-voz da Procuradoria disse que o Bulgaria estava superlotado, não tinha licença para transportar passageiros e sofreu uma avaria em seu motor esquerdo.

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