Rússia diz que enviará navios de guerra para Caribe

A Rússia anunciou na segunda-feira queenviará um poderoso cruzador movido a energia nuclear para aságuas do Caribe a fim de realizar um exercício naval com aVenezuela, anunciando assim suas primeiras manobras de grandeescala a serem realizadas às portas dos EUA desde a GuerraFria. Autoridades russas negaram que a missão tenha qualquerrelação com a presença de navios de guerra norte-americanos nomar Negro, mas reconheceram que as manobras ocorrerão em ummomento de nervos à flor da pele nas relações entre os EUA e aRússia por causa do conflito na Geórgia. O governo russo criticou os norte-americanos por enviaremum navio de comando militar e duas outras embarcações para aGeórgia a fim de distribuir material de ajuda ali e dar mostrasde apoio ao presidente georgiano, Mikheil Saakashvili, depoisde a Rússia ter colocado seus soldados dentro do país vizinho. O presidente russo, Dmitry Medvedev, perguntou no sábadocomo os EUA se sentiriam se "nós enviássemos ajuda humanitáriapara o Caribe usando a nossa Marinha". Andrei Nesterenko, porta-voz do Ministério das RelaçõesExteriores da Rússia, disse na segunda-feira que a missão navalpara a Venezuela incluiria o cruzador movido a energia nuclear"Pedro, o Grande," um dos maiores navios de guerra do mundo. O destróier mais moderno dos russos, o "AlmiranteChabanenko", também rumará para o Caribe junto com outrasembarcações, entre as quais um navio-tanque, acrescentou. O exercício naval, que deve ocorrer em novembro, contarácom o apoio de aviões anti-submarino estacionados na Venezuela,disse. A Rússia negou que a manobra seja algum tipo de retaliaçãopelo fato de os EUA terem enviado navios de guerra para aGeórgia. "Estamos falando sobre um evento planejado que não temligação com as circunstâncias políticas atuais e que não estáde forma nenhuma relacionado ao que ocorreu na Geórgia",afirmou o porta-voz em uma entrevista coletiva. Os exercícios"não serão direcionados contra os interesses de outros países." Os navios participarão de "manobras conjuntas, exercíciosde busca e resgate além de rotinas de comunicação", afirmouIgor Dygalo, porta-voz da Marinha russa, em um comunicado.Dygalo acrescentou que o exercício está sendo planejado há umano. O "Pedro, o Grande" é uma embarcação imponente e fortementearmada que carrega tanto mísseis terra-terra quanto cerca de500 mísseis terra-ar, segundo Jon Rosamund, editor da revistaJane's Navy International, especializada nessas questões. "No papel, trata-se de um navio imensamente poderoso",afirmou. "Não temos muita certeza sobre se isso é umademonstração de força ou se representa de fato uma alternativaoperacional viável naquela região", disse Rosamund. "Esses navios possuem muito mais poder, em teoria, do queos destróiers norte-americanos que foram para o mar Negro, masé difícil comparar o poderio de cada um", afirmou o editor. "AMarinha russa deseja ser vista atuando em vários palcos deoperação do mundo." (Reportagem adicional de Dmitry Solovyov)

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