Rússia diz que iniciou retirada de tropas da Geórgia

General diz que tropas voltarão para a Ossétia do Sul; russos permanecem no controle de cidade estratégica

Agências internacionais,

18 de agosto de 2008 | 08h27

O vice-chefe do Estado maior russo, general Anatoly Nogovitsyn, afirmou nesta segunda-feira, 18, que a retirada das tropas russas na Geórgia já está em andamento. A declaração foi feita em meio às incertezas de que Moscou cumprirá a promessa feita pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, de iniciar a saída dos soldados da ex-república soviética. Mais cedo, forças russas que ocupam a cidade de Gori não mostravam sinais de retirada e aparentemente consolidaram suas posições.   Veja também: Um miliciano mirou o fuzil no meu peito e pulei na estrada", diz correspondente do Estado  EUA devem reavaliar relação com Rússia' Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   Medvedev anunciou a retirada no domingo, após uma reunião com o presidente da França, Nicolas Sarkozy, que ocupa temporariamente a Presidência da União Européia e foi o mediador do acordo de cessar-fogo assinado por Moscou e Tbilisi. Na ocasião, o líder francês alertou Medvedev de que as relações entre a Rússia e a UE sofreriam sérias conseqüências se Moscou não cumprisse o acordo estabelecido na semana passada.   Segundo o general Nogovitsyn, as tropas voltarão para a província separatista georgiana da Ossétia do Sul, para o limite definido por um acordo em 1999 que autorizou a instalação de forças de paz russas da região pró-Moscou. O presidente russo, cujas forças invadiram a Geórgia para apoiar os separatistas, voltou a alertar que qualquer agressão contra cidadãos russos terão uma resposta esmagadora.   Segundo a BBC, a retirada das forças russas estava marcada para o meio-dia no horário local, mas horas mais tarde ainda não havia sinais de movimentação de tanques, veículos de artilharia e outros veículos militares russos para deixar as cidades ocupadas. Soldados russos mantêm suas posições Igueti, a 35 quilômetros da capital georgiana, Tbilisi, e ainda controlam a entrada e a saída de Gori.   Em Gori, uma cidade estratégica no centro da Geórgia, há sinais de uma distensão da presença russa, mas a situação humanitária ainda é caótica. Georgianos desesperados brigam por pedaços de pão distribuídos por veículos de ajuda humanitária. Todas as lojas estão fechadas e as ruas ficaram vazias.   A agência oficial russa RIA Novosti tinha comunicado que os primeiros veículos militares russos começaram a sair de Tskhinvali, a capital da região separatista georgiana da Ossétia do Sul. No local devem permanecer apenas as forças de paz russas. "Após recebermos a ordem de retirar as unidades da Ossétia do Sul, começamos os trabalhos de carga e a preparação para o movimento. No entanto, é preciso entender que isso não é feito em minutos ou horas", disse um alto oficial russo, acrescentando que as tropas levaram mais de um dia para entrar na Ossétia do Sul e isso significa que a retirada levará certo tempo.   "Estamos convencidos de que dali (Gori) não representa nenhum perigo e por isso nos retiramos a partir de hoje", disse o chefe militar, sem precisar se já tinha começado a retirada da cidade. O porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili, disse por telefone que as tropas russas continuam em Gori.   Um porta-voz do Ministério de Relações Exteriores da Geórgia, Shota Utiashvili, afirmou que tanques russos "destruíram" nesta segunda-feira carros da polícia georgiana. Segundo o funcionário, o ataque ocorreu após policiais perguntarem aos russos o que eles estavam fazendo tão distantes da zona de conflito. O incidente ocorreu em um posto de controle a 30 quilômetros da capital da Geórgia, Tbilisi. Em entrevista à France Presse, Utiashvili relatou que o incidente ocorreu às 17h30. Não havia informação sobre feridos.   Resposta esmagadora   Medvedev voltou a afirmar que a Rússia pode promover uma nova ação militar se cidadãos russos forem ameaçados. Grande parte da população ossetiana tem cidadania russa. O presidente russo ainda viajou para a província russa da Ossétia do Norte, região que mantém fortes vínculos com os separatistas georgianos.   "Se alguém pensa que pode matar os nossos cidadãos e escapar impune, nunca permitiremos isso". Se alguém tentar isso novamente, teremos uma resposta esmagadora", ameaçou Medvedev em discurso aos veteranos da Segunda Guerra Mundial na cidade russa de Kursk. "Temos todos os recursos necessários, políticos, econômicos e militares. Se alguém tem qualquer ilusão sobre isso, deve abandoná-las."   Medvedev, que enfrenta sua primeira crise internacional desde que assumiu a Presidência russa, em maio, afirmou que a Rússia não quer romper relações com nenhum país, mas pediu respeito. "Não queremos deteriorar nossas relações internacionais, queremos respeito. Queremos que nosso povo e nossos valores sejam respeitados". "Sempre fomos um país que ama a paz. Praticamente não existe uma única ocasião na história da Rússia ou do Estado Soviético que nos iniciamos ações militares".   Segundo a BBC, mais cedo, o líder da Ossétia do Sul, Eduard Kokoity, disse que pedirá à Rússia que instale uma base militar na região separatista e rejeitou a presença de observadores internacionais. Kokity disse que os cidadãos russos na Ossétia do Sul "precisam ser protegidos da Geórgia".   O governo da Geórgia não exerce autoridade sobre a Ossétia do Sul desde o início da década passada, quando a província lutou contra Tbilisi e declarou independência, mas sem conseguir respaldo internacional. Forças russas invadiram a Geórgia em 8 de agosto, um dia depois de forças georgianas terem iniciado uma ofensiva militar para recuperar a província.   Matéria atualizada às 12h30.

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