Rússia diz que não quer criar nova cortina de ferro

Presidente russo volta a mencionar a Guerra Fria e diz que Moscou não será isolada ou pelo Ocidente

Reuters e Associated Press,

19 de setembro de 2008 | 10h46

 O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, disse nesta sexta-feira, 19, que não quer disputas com o Ocidente, o que empurraria a Rússia para trás de uma nova cortina de ferro, e culpou a Otan por provocar o conflito na Geórgia, no mês passado. Medvedev afirmou ainda que Moscou não será pressionada ou isolada por conta do conflito no Cáucaso.   Veja também: Especial: Depois da Guerra Fria    Medvedev falou um dia depois de a secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice, fazer um severo ataque à Rússia, dizendo que o país tinha feito "uma virada sombria" e exigindo ao Ocidente que se defenda da intimidação dos russos.   "Estamos, de fato, sendo empurrados por um caminho que não é fundado na parceria completa e civilizada com os outros países, mas em desenvolvimento autônomo, atrás de muros grossos, atrás de uma cortina de ferro", disse Medvedev em um discurso numa reunião de grupos civis. "Este não é nosso caminho. Para nós, não faz sentido voltar ao passado. Fizemos nossa escolha", disse.   Medvedev também disse que o papel da Otan na Geórgia mostrou sua incapacidade de garantir a segurança na Europa, o que demonstra a necessidade de outro mecanismo de segurança. "Nós fortaleceremos continuamente nossa segurança nacional, modernizaremos o setor militar e aumentaremos nossa capacidade de defesa para um nível adequado", disse Medvedev.   Respondendo aos comentários de Medvedev, o porta-voz da Otan, James Appathurai, disse à Reuters: "Não há nada provocativo na parceria e também não há nada provocativo em promover reformas democráticas e econômicas, além de apoiar um país em suas intenções de se aproximar da comunidade Euro-Atlântica".   Também nesta sexta-feira, os parlamentares russos aprovaram preliminarmente o orçamento do país para 2009, que prevê um aumento de 25% nos gastos com defesa. A forte subida ocorre um mês após a breve guerra com a Geórgia. A previsão de gastos no setor subiu de cerca de US$ 40 bilhões para perto de US$ 50 bilhões.   As forças russas derrotaram as georgianas com facilidade, e em seguida tomaram posições no território vizinho. Porém para analistas militares ficaram evidentes alguns problemas, como a falta de armas de precisão e de movimentação por satélite. A Rússia aumentou bastante seus gastos com defesa nos últimos oito anos. Mas esse gasto é ainda tímido comparado ao dos Estados Unidos, estimado em US$ 480 bilhões para este ano.

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