Rússia diz que ordem para matar jornalista veio do exterior

Promotores russos afirmaram nasegunda-feira terem detido 10 suspeitos de participação noassassinato da repórter Anna Politkovskaya, mas que o crimehavia sido encomendado de fora do país por forças de oposiçãoao Kremlin que tentam manchar a imagem da Rússia. O assassinato de Politkovskaya, uma crítica contumaz dopresidente russo, Vladimir Putin, ocorreu no ano passado eparece ter sido realizado por um matador profissional. O crimeprovocou uma chuva de críticas da comunidade internacional,entre as quais críticas de que o governo não estava conseguindoproteger a liberdade de expressão no país. Os promotores afirmaram que o homicídio tinha ligações,provavelmente, com a atividade profissional da repórter, quedenunciou abusos cometidos pelas forças de segurança russas naChechênia e nas regiões vizinhas. O procurador-geral da Rússia, Yuri Chaika, disse que,segundo a investigação, Politkovskaya foi morta por um grupo docrime organizado liderado por um checheno e que incluiria aomenos cinco membros e ex-membros das forças de segurança. Chaika afirmou que o mesmo grupo pode ter participado deoutros dois assassinatos que ganharam as manchetes: o homicídioem 2004 do repórter norte-americano Paul Klebnikov e ohomicídio, no ano passado, de Andrei Kozlov, entãovice-presidente do Banco Central do país. Mas, segundo o procurador-geral, as pistas referentes aoassassinato de Politkovskaya e a outros crimes apontavam paraadversários do governo russo que moram fora do país. Questionado sobre se tinha em mente Boris Berezovsky, omultimilionário que se opõe ao Kremlin e que vive em Londres,Chaika sorriu e não disse nada. "A pessoa que deu a ordem para o assassinato (dePolitkovskaya) vive fora do país", afirmou o procurador-geral. Ao reunir-se com Putin, horas antes, Chaika afirmou que 10pessoas haviam sido detidas sob suspeita de envolvimento nessecrime. "Dentro em breve, elas serão acusadas formalmente porterem realizado esse crime grave", disse. Um tenente-coronel do Serviço Federal de Segurança (FSB) eum major da polícia russa ajudaram os assassinos dePolitkovskaya fornecendo informações sobre a rotina dela.Outros três policiais também estariam envolvidos no crime,afirmou o procurador-geral. Politkovskaya morreu na tarde de 7 de outubro, ao sair deseu apartamento em Moscou para pegar o elevador. Duas balasatingiram a cabeça dela. A repórter tinha 48 anos de idade. Simpatizantes dela atribuíram o crime às críticas feitaspela jornalista às autoridades russas. (Reportagem adicional de Chris Baldwin em Moscou)

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