Burhan Ozbilici/AP
Burhan Ozbilici/AP

Rússia diz que Turquia ameaçou vidas ao forçar pouso de avião sírio

Foram apreendidos supostos equipamentos militares que estariam destinados ao governo de Bashar al-Assad

NICK TATTERSALL, Reuters

11 de outubro de 2012 | 09h16

ISTAMBUL - A Rússia acusou nesta quinta-feira, 11, a Turquia de ter ameaçado a vida de cidadãos russos ao obrigar um avião de passageiros da Síria a pousar, para então apreender supostos equipamentos militares que estariam destinados ao governo de Bashar al-Assad.

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A Síria disse que a interceptação do avião da companhia Syrian Air foi um ato de pirataria, agravando as tensões entre os dois países vizinhos. Nos últimos dias, a Turquia tem reagido de forma cada vez mais incisiva à queda de morteiros em seu território disparados da Síria.

Na noite de quarta-feira, caças turcos escoltaram um Airbus A-320 que fazia a rota Moscou-Damasco com 30 passageiros a bordo, e o obrigaram a pousar no aeroporto de Ancara. Autoridades turcas disseram que a interceptação foi feita devido a informações sobre uma "carga não civil" no avião.

A Rússia, que permanece como aliada de Assad em meio a um conflito que já matou cerca de 30 mil pessoas na Síria, exigiu uma explicação.

"As vidas e a segurança dos passageiros foram colocadas sob ameaça", disse a chancelaria russa em nota, acrescentando que 17 cidadãos seus que estavam a bordo foram impedidos de manterem contato com funcionários diplomáticos russos.

Uma fonte da agência russa de exportação de armas disse à Interfax que o jato não transportava armas nem equipamento militar russo.

O ministro sírio dos Transportes, Mahmoud Said, disse à TV libanesa Al Manar que a abordagem foi um ato de "pirataria aérea, que contradiz os tratados de aviação civil". A Turquia disse ter agido conforme o direito internacional.

"Estamos determinados a controlar transferências de armas para um regime que realiza tais massacres brutais contra civis. É inaceitável que tal transferência seja feita usando nosso espaço aéreo", disse o chanceler Ahmet Davutoglu.

"Recebemos informações de que esse avião estava transportando uma carga de natureza que não poderia possivelmente cumprir com as regras da aviação civil", disse ele durante visita oficial a Atenas.

O avião e seus passageiros puderam seguir viagem depois que parte da carga foi apreendida. Autoridades não deram detalhes sobre o material confiscado, dizendo que ele está sob investigação, mas alguns jornais turcos noticiaram que havia na carga suprimentos não letais, como equipamentos de rádio.

"O avião não estava transportando nenhum material ilegal", disse Ghaida Abdulatif, chefe da Syrian Arab Airlines, a jornalistas em Damasco. "Quando o avião foi inspecionado, ficou claro que havia... pacotes civis com equipamentos elétricos que são autorizados a serem transportados e tinham sido registrados oficialmente."

Também na quarta-feira, o Observatório Sírio de Direitos Humanos disse que 70 pessoas foram mortas no país, incluindo seis rebeldes na estratégica cidade de Maarat al Nuanan, na rodovia que liga Damasco a Aleppo, as duas maiores cidades sírias.

 

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