Rússia e EUA assinam pacto de cooperação nuclear civil

Acordo assinado no último dia do governo Putin deve ampliar comércio bilateral atômico entre países

Reuters e Associated Press,

06 de maio de 2008 | 09h50

A Rússia e os Estados Unidos assinaram um acordo de cooperação nuclear civil que permitirá uma significativa ampliação do comércio bilateral entre empresas das duas maiores potências atômicas do mundo. O acordo foi assinado pelo embaixador americano William Burns e pelo diretor da estatal nuclear russa Rosatom, Sergei Kiriyenko, nesta terça-feira, 6, véspera da posse do novo presidente da Rússia, Dmitry Medvedev.   "O valor potencial deste acordo é o valor de todos os contratos que podem ser assinados entre as empresas dos dois países na esfera nuclear, que é obviamente de bilhões de dólares", disse um funcionário russo que pediu anonimato.   Os EUA são um enorme mercado para a energia nuclear, enquanto a Rússia possui enormes reservas de urânio. O acordo vinha sendo defendido pelos presidentes Putin e George W. Bush desde a cúpula de São Petersburgo do G-8, em 2006, mas enfrentava resistência de alguns parlamentares norte-americanos devido à cooperação nuclear de Moscou com o Irã. "É simbólico que seja assinado no último dia do mandato presidencial de Vladimir Putin", disse a fonte russa.   Mas o governo Bush ainda deverá submetê-lo ao Congresso, dominado pela oposição democrata, que terá então 90 dias para votá-lo. Caso isso não aconteça, o acordo entrará automaticamente em vigor. O Parlamento russo, totalmente dominado por Putin, também deve ratificar o tratado.   "Não se pode subestimar a importância deste acordo, porque ele abre às empresas russas o gigantesco mercado norte-americano para materiais nucleares", disse Vladimir Yevseyev, pesquisador-sênior do Centro para a Segurança Internacional de Moscou.   Putin, que na quarta-feira transfere o cargo a Dmitry Medvedev, reformou o setor nuclear russo para que se tornasse mais competitivo e abriu o país a empresas atômicas estrangeiras, como a japonesa Toshiba, que controla a norte-americana Westinghouse Electric.   A Rússia criou uma gigantesca empresa nuclear, a Atomenergoprom - espécie de versão atômica da gigante do gás Gazprom - para competir com as principais empresas do mundo no mercado nuclear mundial. Os competidores incluem a parceria entre a francesa Areva e a alemã Siemens; a japonesa Toshiba; e a GE Hitachi, parceria entre a norte-americana General Electric e a japonesa Hitachi.   A Rússia tem cerca de 870 mil toneladas de urânio em reservas, mas a cifra passa de 1 milhão de toneladas se forem consideradas também as atuais joint ventures no exterior. Mas esse volume exclui as reservas estratégicas de urânio e plutônio altamente enriquecido, material para armas nucleares, cujo tamanho é um segredo de Estado. Um programa piloto já permite a venda aos EUA de urânio retirado de antigas armas nucleares russas.

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