Rússia e UE definem acordo para retirada de tropas da Geórgia

Soldados deixam território georgiano assim que bloco enviar monitores para conter ação de Tbilisi, diz Moscou

Agências internacionais,

08 de setembro de 2008 | 11h57

O presidente russo, Dmitri Medvedev, afirmou nesta segunda-feira, 8, que vai retirar as tropas de todo o território georgiano, exceto das províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, em um mês, após o posicionamento de forças internacionais no país para garantir que a Geórgia não voltará a usar a força contra as regiões de conflito.   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia Rússia confirma exercícios navais com a Venezuela   Em Moscou, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pressionou a Rússia a honrar seu compromisso de retirar as tropas da Geórgia. Sarkozy, que também ocupa a Presidência rotativa da União Européia, advertiu que o bloco está unido sobre a questão. A delegação liderada por Sarkozy também venceu a oposição do governo russo contra o envio rápido de centenas de monitores da UE para a Geórgia. Segundo Medvedev, a Rússia aceitou o acordo que prevê o monitoramento de 200 representantes da UE na Ossétia do Sul até outubro e recebeu garantias de que a Geórgia não usará mais a força contra os separatistas.   Quase um mês após um cessar-fogo negociado por Sarkozy para encerrar uma guerra de cinco dias entre a Rússia e a Geórgia, as tropas russas permanecem em alguns pontos do território georgiano. A Geórgia e países do Ocidente acusam Moscou de não retirar suas tropas para as posições de antes do início do conflito, em 7 de agosto. A Rússia argumenta que mantém apenas um contingente de manutenção de paz e que este está, pelo acordo, autorizada a ficar no território para manter a segurança nas províncias separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul. Moscou reconheceu as duas regiões como Estados independentes.   Medvedev disse ainda que os soldados russos deixarão os arredores da cidade portuária de Poti, na costa do Mar Negro, no decorrer dos próximos sete dias, mas somente se a Geórgia comprometer-se por escrito a não usar a força contra a Abkházia. "A retirada (das tropas) será realizada no curso de dez dias depois do posicionamento nesta região de mecanismos internacionais, que incluem pelo menos 200 observadores da UE, o que deverá acontecer no máximo no dia primeiro de outubro de 2008", declarou Medvedev.   Medvedev afirmou ainda que as discussões internacional sobre as repúblicas separatistas georgianos serão iniciadas em 15 de outubro em Genebra, segundo definido no cessar-fogo mediado por Sarkozy em agosto. O líder francês foi criticado por dar aos russos muito espaço para interpretar o texto, firmado no dia 12 de agosto. O tour por Moscou e Tbilisi pode ser a última chance do francês salvar o acordo, e também sua credibilidade como negociador da paz.   Enquanto a Rússia busca um tom conciliatório com a UE, suas relações com os EUA vão piorando. Na segunda-feira Moscou anunciou o envio de navios de guerra - inclusive um cruzador nuclear - para exercícios navais no Caribe. A Rússia se queixa da presença marítima dos EUA na costa do mar Negro, mas nega qualquer ligação disso com seus exercícios no Caribe - em que seus barcos ficaram atracados na Venezuela do antiamericano presidente Hugo Chávez.   A União Européia ameaça suspender a discussão de uma nova parceria com a Rússia caso Moscou mantenha tropas na Geórgia. Mas o bloco tem pouco poder de pressão sobre a Rússia, porque depende da energia exportada pelo gigante eurasiático.

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