Rússia encerra ação na Geórgia; França pressiona por trégua

Sarkozy elogia fim das operações militares na Ossétia do Sul; Moscou impõe condições para acordo de paz

Agências internacionais,

12 de agosto de 2008 | 08h03

Em sua visita à Rússia, o presidente francês, Nicolas Sarkozy, pediu nesta terça-feira, 12, por um cronograma para que as tropas retornem para suas posições antes do início dos conflitos na Ossétia do Sul, província separatista da Geórgia. Mais cedo, o presidente russo, Dmitry Medvedev, disse que o país está encerrando suas operações militares contra as forças da Geórgia, porque atingiu seus objetivos, segundo a TV estatal russa, e impôs duas condições para a paz no país: que os militares georgianos recuem para suas posições iniciais e sejam parcialmente desmilitarizados e a assinatura de um acordo para o não-uso da força.   Veja também: Refugiados por conflito na Geórgia chegam a 100 mil, diz ONU Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Roberto Godoy e Cristiano Dias comentam o conflito  Imagens feitas direto da capital da Geórgia  Entenda o conflito separatista na Geórgia   A decisão de suspender as operações militares da Rússia aconteceu em meio à chegada do presidente francês a Moscou para negociar o fim do conflito. Medvedev não chegou a dizer, entretanto, que a Rússia irá retirar seu Exército da Geórgia. Sarkozy, que ocupa a Presidência rotativa da União Européia, elogiou o anúncio russo. "A declaração do fim das hostilidades por parte da Rússia é uma notícia que esperávamos. É uma boa notícia", disse Sarkozy, durante a reunião com o presidente russo no Kremlin, segundo a agência Interfax. "Agora é preciso tornar efetivo o cessar-fogo".   "Os objetivos das operações foram atingidos. A segurança de nossas forças de paz e da população civil tem de ser recuperada", afirmou durante um encontro com o Ministro da Defesa. Ao mesmo tempo, o líder russo ordenou que seus chefes militares "reprimam, caso surjam, qualquer foco de resistência ou de agressão" na área. "O agressor foi castigado e sofreu baixas significativas. Suas forças armadas ficaram desorganizadas", disse.   Medvedev afirmou que um assentamento das operações militares na Geórgia dependiam de duas condições: "primeiro, o retorno de todas as tropas georgianas a suas posições iniciais de lugar e a desmilitarização parcial dessas unidades. Segundo, a assinatura de um documento vinculativo sobre o não uso da força, que é no que a parte francesa está trabalhando".   O primeiro-ministro da Geórgia, Vladimir Gurgenidze, denunciou que a aviação russa retomou os bombardeios contra a cidade georgiana de Gori, a principal entroncamento viário entre o leste e o oeste do país. "A universidade e o escritório dos correios estão em chamas", disse o chefe de governo, que acrescentou que aviões russos bombardearam também as aldeias de Tkiavi e Svaneti, nos arredores de Gori, cidade que se encontra 70 quilômetros ao leste de Tbilisi.   Separatistas abkhazes tomaram hoje a cidade de Azhara, centro administrativo do vale de Kodori, informou a agência russa Interfax. O presidente da autoproclamada república da Abkházia, Serguei Bagapsh, declarou que, além de Azhara, tropas tomaram a aldeia de Chjalta. "Já controlamos a maior parte do vale de Kodori", disse o líder da região separatista georgiana, fronteiriça com a Rússia.   A UE tem pedido um cessar fogo imediato e exigiu que a Rússia respeite a integridade territorial da Geórgia, mas recusou-se a culpar um dos lados do conflito, que irrompeu na semana passada na região separatista georgiana da Ossétia do Sul.   Ao todo, em quatro dias de conflito, cerca de 2 mil civis morreram, segundo a Rússia. De acordo com o governo em Tbilisi, o número de vítimas seria menor: 130 civis georgianos mortos e 1.165 feridos. Os dois lados se acusam mutuamente de realizar uma "limpeza étnica" na região.   (Com Lourival Sant´Anna, de O Estado de S. Paulo, e Cynthia Decloedt, da Agência Estado)

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