Rússia enfrenta novas sanções dos EUA e da UE por crise com Ucrânia

Os governos da União Europeia concordaram nesta quinta-feira em adotar novas sanções contra a Rússia na sexta por causa da crise com a Ucrânia, mas poderão retirar a restrição no próximo mês se Moscou cumprir uma frágil trégua, enquanto os Estados Unidos preparam suas próprias novas sanções.

ADRIAN CROFT E ARSHAD MOHAMMED, REUTERS

11 de setembro de 2014 | 19h36

São os passos mais recentes dos Estados Unidos e da UE desde a anexação da Crimeia pela Rússia em março, que o Ocidente vê como um esforço para desestabilizar ainda mais a Ucrânia, apoiando os separatistas pró-russos com tropas e armas.

O presidente dos EUA, Barack Obama, disse que irá fornecer detalhes sobre as novas sanções do país na sexta-feira. Os Estados Unidos planejam impor sanções ao Sberbank, o maior banco da Rússia, e limitar ainda mais o acesso de outros bancos russos ao capital norte-americano, disseram fontes familiarizadas com o assunto nesta quinta-feira.

Os 28 governos dos Estados membros da UE concordaram na semana passada sobre as novas sanções contra a Rússia, mas passaram vários dias discutindo sobre seu anúncio e implementação.

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia disse que a aprovação das novas sanções pela UE mostrou que a União Europeia "fez sua escolha contra" o mapa do caminho de paz destinado a acabar com o pior confronto entre Moscou e o Ocidente desde a Guerra Fria.

Depois que os embaixadores da UE deram seu aval às novas sanções para entrar em vigor na sexta-feira, o presidente do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, disse que as autoridades da UE irão conduzir uma revisão antes do final de setembro de como a trégua alcançada na semana passada entre as forças governamentais e os rebeldes da Ucrânia estava sendo trabalhada. Se a Rússia estiver cumprindo, algumas ou todas as sanções poderão ser levantadas, disse ele.

"Se a situação em terra se justificar", disse ele, os funcionários podem apresentar aos líderes da UE "propostas para alterar, suspender ou revogar o conjunto de sanções em vigor, em todo ou em parte".

Esse estímulo para Moscou cooperar, enquanto impõe imediatamente novas medidas, reflete a impaciência por parte de alguns líderes para não dar golpes depois de menos de uma semana da trégua, mas também mostra a preocupação dos outros países, especialmente aqueles mais fortemente dependentes do comércio da Rússia, para não provocar retaliação de Moscou.

O acordo da UE sobre o calendário de sanções ocorreu depois de um telefonema na quinta-feira incluindo Van Rompuy, o primeiro-ministro britânico, David Cameron, a chanceler alemã, Angela Merkel, o presidente francês, François Hollande, e o primeiro-ministro italiano, Matteo Renzi, disse o porta-voz de Cameron em Londres.

"Se a Rússia realmente inverter o rumo, então é claro que a União Europeia e os outros vão voltar ao assunto, mas, infelizmente, tem tido muito pouca evidência até agora e é por isso que a União Europeia avançou", disse o porta-voz.

As potências ocidentais acusam a Rússia de enviar tanques e tropas para o leste da Ucrânia para apoiar uma rebelião de separatistas pró-Moscou. O Kremlin nega e respondeu com suas próprias sanções e ameaças de mais retaliações.

Uma rodada anterior de sanções da UE barrou cidadãos e empresas da UE de comprar ou vender novos bônus ou ações com mais de 90 dias de emissão por grandes bancos russos estatais: o Sberbank, o VTB Bank, Gazprombank, Vnesheconombank (VEB) e Russian Agricultura Bank (Rosselkhozbank).

Sob as novas sanções, os cidadãos e as empresas da UE já não podem fornecer empréstimos para os cinco bancos. Negócios com novos títulos ou ações com prazo superior a 30 dias, emitidos pelos mesmos bancos, também serão proibidos.

(Reportagem adicional de Kylie MacLellan em Londres, Andreas Rinke em Berlim, Jan Strupczewski, Robin Emmott, Julia Fioretti, Alastair Macdonald, Francesco Guarascio em Bruxelas)

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