Rússia envia ajuda humanitária ao Mali, preocupada com militância islâmica

MOSCOU - A Rússia expressou preocupação com a expansão da militância islâmica e a crescente tensão no Mali, nesta sexta-feira, 22, e enviou ajuda humanitária ao país da África Ocidental.

Reuters

22 de fevereiro de 2013 | 11h39

O envio de ajuda sinaliza o crescente desconforto de Moscou sobre a situação na África desde a eclosão das revoltas populares da Primavera Árabe, que as autoridades russas advertiram desde o início que poderiam fortalecer a posição dos radicais islâmicos e atiçar a violência.

O Ministério de Emergências russo disse que um avião de carga partiu para o Mali com 36 toneladas de alimentos e utensílios domésticos, cobertores e tendas. O Ministério das Relações Exteriores advertiu sobre as crescentes tensões na região após negociações, na quinta-feira, entre o chanceler russo, Sergei Lavrov, e Romano Prodi, o enviado das Organização das Nações Unidas à região africana do Sahel.

"As partes prestaram particular atenção à situação na República do Mali. Elas expressaram preocupação sobre a atividade de organizações terroristas no norte do país, o que representa uma ameaça à paz e segurança regional", disse o ministério em comunicado.

O comunicado reforçou a necessidade de se buscar uma solução para a situação através do Conselho de Segurança da ONU. O ministério divulgou a declaração antes de uma viagem à Rússia, na próxima quinta-feira, do presidente francês, François Hollande, cujo país enviou tropas ao Mali, uma ex-colônia francesa.

Uma aliança islâmica entre a ala da Al-Qaeda no Norte da África (AQMI) e grupos locais malienses capturou o norte do Mali no ano passado, equipada com armas usadas na Líbia após a queda de Muamar Kadafi.

O objetivo da intervenção estrangeira é evitar que o norte do Mali se torne uma plataforma para o lançamento de ataques internacionais da Al-Qaeda e seus aliados.

A Rússia apoiou um resolução do Conselho de Segurança da ONU que autoriza a intervenção militar no Mali, mas Lavrov disse, em entrevista coletiva no mês passado, que os rebeldes que lutam contra as tropas francesas e africanas agora são os mesmos combatentes que o Ocidente apoiou com armas contra Gaddafi.

(Reportagem de Timothy Heritage)

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