Rússia envia navios de guerra para região separatista da Geórgia

Chanceler francês diz que Moscou pode ter interesse em outros países vizinhos com grupos pró-independência

Agências internacionais,

27 de agosto de 2008 | 08h10

Um embarcação da Frota do Mar Negro, o cruzador Moskva, atracou nesta quarta-feira, 27, em Sukhumi, capital da região separatista georgiana da Abkházia, cuja independência, além da Ossétia do Sul, foi reconhecida por Moscou na terça. Os navios chegaram à região no mesmo dia em que o chanceler francês, Bernard Kouchner, afirmou que a Rússia pode ter interesse em outros países vizinhos, como a Ucrânia e a Moldávia - países que possuem movimentos separatistas -, depois da operação russa na Geórgia.   Veja também: Conflito no Cáucaso aumenta tensão em ex-nações soviéticas Medvedev afirma que não buscou conflito   Bush critica Rússia por reconhecer separatistas Otan e UE condenam reconhecimento russo Entenda o conflito separatista na Geórgia   Vários navios foram recebidos com aplausos pelos habitantes da cidade, assim como pelo presidente da Abkházia, Serguei Bagapsh, e pelas autoridades locais. Segundo o vice-chefe do Estado Maior russo, general Anatoly Nogovitsin, a Rússia ordenou ainda que sua frota no Mar Negro vigie o crescente número de barcos da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e afirmou que Moscou não tem interesses de aumentar sua própria presença militar no mar. Nesta quarta, o porto georgiano de Batumi recebeu o navio americano Dallas, com ajuda humanitária.   Tropas russas continuam em partes da Geórgia, e Moscou reconheceu na terça formalmente a independência das províncias separatistas da Geórgia - Ossétia do Sul e Abkázia -, e irritou o governo americano e os principais líderes da União Européia. A decisão foi anunciada pelo presidente russo, Dmitri Medvedev, um dia depois de as duas câmaras do Parlamento russo terem aprovado uma resolução que pedia pelo reconhecimento. "Essa não é uma escolha fácil, mas é a única chance de salvar a vida das pessoas", disse Medvedev.   Questionado sobre se a Rússia poderia optar pelo confronto com o Ocidente ao invés de cooperar, o ministro de Relações Exteriores francês afirmou: "isso não é impossível". "Repito que isso é muito perigoso, e que existem outros objetivos, em particular na Criméia, Ucrânia e Moldávia". Como a Geórgia, a Ucrânia tem um presidente apoiado pelo Ocidente e que pretende integrar a Otan, se afastando da esfera de influência do Kremlin, e que possui muitos cidadãos de origem russa. A península ucraniana da Criméia, uma região tradicionalmente reivindicada pela Rússia, que abriga a frota russa do mar.                                           Medvedev advertiu a Moldávia - outra república ex-soviética - para que "não cometer o mesmo erro da Geórgia" de recorrer à força para tentar tomar o controle da região separatista de Transdniester. "Depois que a Geórgia perdeu seus trunfos, todos os problemas pioraram e um conflito militar começou", disse Medvedev ao presidente da Moldávia, Vladimir Voronin. "Esse é um alerta sério e creio que devemos lidar com outros conflitos em andamento que têm o mesmo contexto."   Kouchner reiterou seu apelo para que a Rússia cumpra com seus compromissos internacionais, incluindo o cessar-fogo com a Geórgia mediado pela França. "Não podemos aceitar essas violações das leis internacionais, acordos de segurança e cooperação com a Europa, com as resoluções da ONU e pela primeira invasão de um território por um Exército depois de muito tempo".

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