Rússia estende a mão a Obama na questão dos mísseis, diz agência

A Rússia cancelou a instalação de mísseis perto das suas fronteiras europeias, o que seria uma retaliação ao escudo antimísseis a ser construído pelos EUA na região, disseram militares na quarta-feira a uma agência russa de notícias. Se confirmada, a medida deve ser interpretada como um sinal de boa vontade para com o novo governo norte-americano de Barack Obama, depois das turbulentas relações do Kremlin com a Casa Branca de George W. Bush. "Se for verdade, seria um passo muito positivo", disse o embaixador norte-americano na Otan, Kurt Volker, segundo relato de uma porta-voz. Obama conversou por telefone na segunda-feira com o presidente russo, Dmitry Medvedev. Neste primeiro contato depois da posse do democrata, os dois presidentes concordaram sobre a necessidade de impedir que suas relações fiquem "à deriva", disse a Casa Branca na terça-feira. Em novembro, Medvedev anunciou a instalação de mísseis Iskander na região de Kaliningrado, única fronteira da Rússia com a Polônia, onde os EUA pretendem instalar um sistema de interceptadores contra mísseis, para trabalharem em conjunto com radares na República Checa. Mais tarde, Medvedev esclareceu que os mísseis só seriam instalados se antes os EUA começassem efetivamente a construir o escudo antimísseis. O governo Bush dizia que o objetivo do escudo é conter a ameaça de "Estados párias", como o Irã. A Rússia, porém, se sentiu ameaçada e não escondeu sua insatisfação com esse avanço norte-americano em sua área de influência. O escudo antimísseis, junto com a guerra de agosto da Rússia contra a Geórgia, levou as relações entre Moscou e Washington a seu pior momento desde o fim da Guerra Fria. Neste mês, um indicado para um alto cargo no Pentágono disse que o governo Obama vai reavaliar a construção do escudo antimísseis, como parte de uma ampla revisão das políticas anteriores. "A implementação desses planos (de levar mísseis para Kaliningrado) foi suspensa em conexão com o fato de que o novo governo dos EUA não está apressando seus planos (com relação ao escudo)", disse uma fonte militar de alta patente, sob anonimato, à agência Interfax.

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