Rússia expulsa quatro diplomatas britânicos

Medidas são análogas à decisão britânica de retirar representantes russos de Londres

REUTERS

19 Julho 2007 | 07h33

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia afirmou nesta quinta-feira, 19, que expulsará quatro diplomatas britânicos em reposta análoga à declaração de Londres de retirar representantes do Kremlin no Reino Unido.   Veja Também Putin diz que 'minicrise' será superada   Mikhail Kamynin, porta-voz chefe do ministério, afirmou que a Rússia também suspenderá a liberação de vistos para britânicos. Além disso, a cooperação antiterror entre os dois países será interrompida. Os representantes russos terão que deixar o país em um prazo de dez dias.   O Reino Unido decidiu por retirar diplomatas russos após a recusa de Moscou em extraditar o principal suspeito pelo assassinato do ex-agente Alexander Litvinenko em Londres, no ano passado.   Ex-integrante da extinta KGB, Litvinenko fugiu para o Reino Unido e tornou-se um ferrenho crítico do presidente russo, Vladimir Putin. Ele morreu em Londres, em novembro, depois de ser envenenado com uma substância radioativa. O principal acusado de seu assassinato é Andrei Lugovoi.   A Rússia recusa-se a extraditar Lugovoi, também ex-agente da KGB. Promotores britânicos querem que ele responda à Justiça britânica, uma vez que consideram a russa sujeita a pressões políticas.   "Uma nota foi entregue ao embaixador do Reino Unido (Tony Brenton) na qual se declara 'persona non grata' quatro funcionários da embaixada britânica em Moscou", afirmou Mikhail Kaminin, citado pelas agências russas. Ele acrescentou que os funcionários russos não visitarão o Reino Unido e que Moscou não estudará pedidos de vistos para os funcionários britânicos.   O porta-voz ressaltou que a Rússia agirá simetricamente em todos os assuntos relativos a vistos com o Reino Unido, que, quando anunciou a expulsão dos quatro diplomatas russos, informou que tornaria mais rígido o regime de expedição de vistos para funcionários russos. "Enquanto não recebermos explicações, os representantes oficiais russos não solicitarão vistos britânicos, e os pedidos de vistos dos representantes oficiais britânicos não serão examinados", disse.   Crise diplomática   Na ocasião, o secretário das Relações Exteriores britânico, David Miliband, disse que a medida não é "anti-Rússia", mas afirmou que o objetivo é mostrar o quão a sério o Reino Unido levou a decisão de Moscou.   A Rússia qualificou de "imoral" e de "provocação" a medida britânica. "A posição de Londres é imoral", disse Kamynin. "Em Londres eles deveriam saber que ações tão provocativas tramadas pelas autoridades britânicas não ficarão sem resposta, e só podem ter as mais graves consequências para as relações entre a Rússia e o Reino Unido."   Nesta quinta-feira, a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, defendeu a decisão britânica e pediu para que a Rússia acate o pedido de extradição. "Um terrível crime foi cometido em solo britânico e o Reino Unido tem o dever de encontrar os criminosos e mandá-los para a justiça."   A chancelaria russa diz que "está sendo punida por cumprir a Constituição".   Desde maio, quando a promotoria britânica acusou Lugovoi de assassinato, o Kremlin tem encorajado a mídia russa a culpar o magnata russo Boris Berezovski e o MI6 (serviço secreto britânico) pelo assassinato do ex-agente soviético. Os canais de televisão também exibiram longas entrevistas com um russo que afirmou que o MI6 tentou contratá-lo e que Litvinenko se envenenou.   Denúncias   Em uma coletiva de imprensa surreal em Moscou, Lugovoi declarou que os responsáveis pelo assassinato eram Tony Blair, Berezovski e a máfia georgiana. Em Downing Street, as autoridades acham que, se quisesse, o Kremlin poderia extraditar Lugovoi.   O Reino Unido quer que Moscou pelo menos deixe claro que lamenta a morte de Litvinenko e garanta que isso não deverá acontecer novamente. Mas não houve nenhum sinal nesse sentido por parte de Moscou. O diretor da promotoria pública britânica, Sir Ken McDonald QC, disse que não é "aceitável" que Lugovoi seja processado na Rússia, uma vez que o sistema judiciário nesse país se submete à pressão política.   Gordon Brown chegou a dizer que estava frustrado com a atitude de Moscou. De acordo com seu porta-voz, "a recusa da Rússia a extraditar Lugovoi é decepcionante. Lamentamos profundamente que o país não tenha mostrado a necessária cooperação".   Putin está pessoalmente indignado porque a Londres não extraditou Berezovski para Moscou, onde ele é acusado de lavagem de dinheiro e de ter armado um complô para derrubar o presidente.   Litvinenko, que vivia ao norte de Londres com a esposa e seu filho, morreu em novembro, aos 44 anos anos, três semanas depois de ser envenenado no hotel Millennium, em Mayfair, região londrina, com polônio-210, uma substância radioativa . Seus companheiros disseram, posteriormente, que ele deixou uma carta acusando Putin de estar por trás do seu envenenamento.

Mais conteúdo sobre:
mundo Rússia Alexander Litvinenko

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.