Rússia expulsa repórter que criticou Kremlin em reportagens

Natalia Morar é proibida de entrar em Moscou após viagem e deportada para seu país natal, a Moldávia

Reuters,

16 de dezembro de 2007 | 16h31

A Rússia expulsou neste domingo, 16, uma jornalista que escreveu reportagens sobre possíveis fraudes nas eleições parlamentares, realizadas neste mês, e sobre o envio de grandes somas de dinheiro para o exterior por membros do alto escalão do governo. Nascida na Moldávia, Natalia Morar disse que ao tentar entrar em Moscou, onde trabalha para uma pequena revista intitulada News Times, foi proibida de sair do aeroporto. A ordem de extradição teria sido expedida pelo Serviço de Segurança Russo (FSB). O porta-voz da FSB negou-se a dar declarações.  Ao retornar de uma viagem a trabalho a Israel, foi encaminhada para um avião com destino a Chisinau, capital da Moldávia. "Estou mais do que certa de que a razão de minha expulsão foi meu trabalho", disse à agência de notícias Reuters a jornalista momentos antes de seu vôo. "Acredito que o estopim foi minha reportagem sobre o dinheiro sujo no Kremlin, que financiou partidos durante a campanha eleitoral." O editor de política da News Times, Ilya Barabanov, disse que Natalia deve ter sido expulsa devido a uma reportagem sobre o assassinato do ex-chefe do Banco Central da Rússia Andrey Kozlov em setembro de 2006. "Ela escreveu matérias sobre a investigação da morte de Kozlov que descrevia o envio de grandes somas de dinheiro a bancos estrangeiros por pessoas do alto escalão do governo", disse Barabanov. Antes de trabalhar no New Times, Natalia trabalhou como assessora de imprensa do movimento popular Outra Rússia de Garry Kasparov, que organizou protestos contra o presidente Vladimir Putin. A Federação Internacional de Jornalistas (IFJ) pediu à Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa e ao Concelho Europeu que investiguem o caso. "Isso é uma impressionante violação à liberdade de imprensa e uma clara advertência aos outros (jornalistas) para que não tentem expor o lado negro da política da Rússia atual", disse o secretário-geral da YFJ, Aidan White. Vários países europeus e os Estados Unidos pediram à Rússia que investigue possíveis abusos nas eleições, realizadas no início do mês, após denúncias de fraude e uso indevido de recursos do governo em favor do Partido Rússia Unida, de Putin. O governo alemão afirmou que a votação "não foi livre, e muito menos democrática". O presidente da União dos Jornalistas Russos, Vsevolod Bogdanov, também condenou a deportação de Natalia e informou que sua organização deverá protestar.

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