Rússia faz nova tentativa para atrair Ucrânia; UE espera oportunidade

O presidente russo, Vladimir Putin, fez uma nova tentativa para atrair a Ucrânia, nesta quinta-feira, depois que a União Europeia e os Estados Unidos intensificaram os esforços para deixar Kiev fora da órbita de seu antigo mestre soviético.

TIMOTHY HERITAGE, Reuters

12 de dezembro de 2013 | 15h19

Um dia depois que autoridades europeias e norte-americanas tiveram conversações com o presidente ucraniano, Viktor Yanukovich, em Kiev, Putin usou um discurso à nação para ressaltar os benefícios econômicos de se juntar a uma união alfandegária, da qual ele quer que a Ucrânia faça parte.

Yanukovich, que está buscando o melhor acordo possível para o seu país de 46 milhões de habitantes enquanto tenta evitar a falência, provocou protestos de rua em Kiev ao rejeitar a possibilidade de assinar um acordo de livre-comércio com a UE no mês passado e ao dizer que, em vez disso, queria retomar os laços com a Rússia.

Mas ele limitou suas apostas ao não se comprometer em se juntar à união alfandegária liderada por Moscou e mantendo a possibilidade de que Kiev ainda pode assinar um acordo de associação que aprofundará a cooperação com a UE.

"Nosso projeto de integração é baseado na igualdade de direitos e interesses econômicos reais", disse Putin ao falar sobre a união alfandegária com Belarus e Cazaquistão, que ele quer transformar em um bloco político e comercial para competir com EUA e China.

"Estou certo de que alcançar uma integração eurasiática só vai aumentar o interesse (nela) em relação a outros vizinhos, incluindo nossos parceiros ucranianos."

A ambição de Putin em criar uma União Eurasiática, que vai do Pacífico até as fronteiras orientais da EU, depende em grande parte de a Ucrânia se juntar a ela, trazendo seus ricos recursos minerais e o seu grande mercado, uma ponte para o bloco de 28 países.

Com milhares de pessoas nas ruas de Kiev exigindo a renúncia de Yanukovich, a batalha diplomática sobre o destino da Ucrânia está esquentando.

REUNIÃO COM UE

A chefe de política externa da UE, Catherine Ashton, e a secretária de Estado adjunta dos EUA, Victoria Nuland, saíram sem nenhum sinal óbvio de avanço, depois de uma reunião com Yanukovich, na quinta-feira.

"Yanukovich deixou claro para mim, que ele pretende assinar o acordo de associação", disse Ashton aos repórteres em Bruxelas.

Mas, deixando claro que Yanukovich estava esperando ajuda financeira para ajudar a pagar as dívidas da Ucrânia, ela disse: "O que ele falou foi sobre as questões econômicas de curto prazo que o país enfrenta".

Outra autoridade da UE disse que não houve nenhuma mudança na posição de Yanukovich. Se houve, ele disse, foi a posição do presidente que endureceu.

Acredita-se que a Rússia esteja tentado atrair a Ucrânia com promessas de crédito barato, preços reduzidos para o gás natural e a promessa de benefícios comerciais.

Questionado sobre o que a Ucrânia está buscando nas conversações, uma autoridade russa disse sem rodeios: "Dinheiro!"

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