Rússia interrompe cooperação militar com Otan

Organização afirma que recebeu comunicado sobre o congelamento dos exercícios promovidos em parceria

Agências internacionais,

21 de agosto de 2008 | 12h39

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) informou nesta quinta-feira, 21, ter recebido uma nota de Moscou que congelava a cooperação militar entre a organização e a Rússia. Trata-se do último sinal de tensão por causa do conflito na Geórgia. A porta-voz da Otan Carmen Romero disse que a aliança recebeu a notificação pelos canais militares. Segundo a funcionária, o Ministério de Defesa russo decidiu "interromper eventos de cooperação militar internacional entre a Rússia e os países da Otan".   A informação foi confirmada por Dmitri Rogozin, embaixador russo na Aliança Atlântica. "A colaboração com a Otan é um assunto complexo e, até que os dirigentes políticos da Rússia decidam como será, o Ministério da Defesa suspendeu a cooperação militar" com a organização, disse Rogozin à agência russa RIA Novosti.   Veja também: Tensão com Rússia faz petróleo disparar; Petrobrás sobe 3% Rússia reitera que retirada termina na 6.ª Blindados russos retornam a Gori e Poti Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   Na terça-feira, os chanceleres da Otan congelaram os contatos formais com a Rússia, exigindo que Moscou cumprisse sua promessa de retirar suas forças da Geórgia. Mas não suspenderam o acordo de 2002, que estabeleceu vários projetos de cooperação entre a Otan e a Rússia, antigos rivais da época da Guerra Fria.   Mais cedo, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que a Rússia não tinha planos de fechar as portas para suas relações com a Otan, mas que tudo dependeria das prioridades da aliança. "Se eles preferirem apoiar o falido regime [do presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili] ao invés da parceria com a Rússia, não será nossa culpa". "Posso dizer apenas que a Rússia não precisa mais da cooperação da Otan do que a Otan precisa da Rússia", afirmou.   Um acordo em 2002 estabeleceu vários projetos de cooperação entre a Otan e a Rússia, antigos rivais da época da Guerra Fria. Entre eles está a troca de informações para o combate ao tráfico de heroína do Afeganistão, o desenvolvimento de tecnologia para equipamentos antimísseis, exercícios militares conjuntos e apoio em resgates em alto mar.   Na semana passada, Rogozin advertiu a aliança atlântica contra o corte de cooperação, dizendo que tal medida prejudicaria os dois lados.   'Agressor em vítima'   "A Rússia não precisa mais da Otan do que ela precisa de nós. A ajuda da Rússia é crucial para a Otan no Afeganistão, onde seu futuro está em jogo", afirmou nesta quinta-feira o Serguei Lavrov, ministro de Assuntos Exteriores russo.   Na opinião de Lavrov, "tudo depende das prioridades da Otan": "Se a prioridade é o apoio ao decaído regime (do presidente georgiano, Mikhail) Saakashvili, em detrimento da associação com a Rússia, não é culpa nossa."   Lavrov criticou ainda a declaração emitida ontem pelos ministros de Assuntos Exteriores da Otan, na qual eles classificaram como "descabida" a ação militar russa na Geórgia. Segundo o ministro russo, a Otan tentou "transformar o agressor em vítima, justificar um regime criminoso, salvar um regime que se afunda e apostar no rearmamento" da Geórgia.   (Matéria atualizada às 17h20)  

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