Novosti Pool Photo via AP
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Rússia investirá US$ 81 bi por ano em novas armas

Investimento, o maior desde o fim da URSS, é resposta a aumento da presença americana no Leste Europeu, especialmente na Ucrânia

Roberto Godoy, O Estado de S. Paulo

11 de julho de 2015 | 16h04

A Rússia vai investir cerca de 3,3 trilhões de rublos ao ano, durante a próxima década, e em valores corrigidos, só na renovação e desenvolvimento dos seus arsenais – convencionais e nucleares. O valor previsto nos orçamentos públicos é equivalente a US$ 81 bilhões – o maior desde o fim da União Soviética, em dezembro de 1991. Mas não significa que sejam esses todos os recursos destinados ao programa segundo o professor Valery Draco, integrante do Centro de Estudos de Ameaças Estratégicas, de Moscou. Para o analista, parte significativa das dotações está protegida, “sob o selo vermelho da segurança máxima”.

Valery é ucraniano e considera “absolutamente prioritária”, a política de defesa do governo, “pelo enfrentamento aos riscos representados pela posição dos Estados Unidos na Europa”. O presidente Barack Obama está preposicionando sistemas antimísseis e centros de inteligência na linha frontal russa. A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) estuda a distribuição de esquadrões da aviação de combate na região.

O presidente Vladimir Putin, anunciou em junho, durante a apresentação de 330 diferentes unidades das três Forças Armadas, que a Força de Mísseis Estratégicos, a mais poderosa do país, vai receber até dezembro 40 novas unidades. E em 2016 serão iniciados os testes do Sarmat, monstro de 100 toneladas e ogiva transportadora de 10 cargas independentes, com alcance planetário, o primeiro do mundo com essas capacidades.

No desfile, foi exibido um grupamento da cavalaria blindada, equipado com as primeiros tanques pesados Armata T-14, caracterizados por uma sofisticada combinação de variada tecnologia de ponta. A festa militar também serviu para exposição da segunda geração dos mísseis intercontinentais RS24 Yars e Topol-M.

O Yars leva quatro cargas nucleares programáveis para atingir diferentes alvos até o alcance de 11, 5 mil quilômetros. Cada bomba tem potência de 300 quilotons - o equivalente a 300 mil toneladas de explosivo comum. Pode ser lançado a partir de um silo subterrâneo ou de uma enorme carreta de oito eixos. O mais moderno dos sete tipos de mísseis atômicos russos, teve a configuração inicial incorporada em 2010.

O Topol, de 47 toneladas, carrega uma única ogiva de 800 quilotons na faixa de 9 mil quilômetros a 10 mil quilômetros. O processo de modernização incluiu um centro de guiagem inercial.

Vendas. As agressivas agências e empresas estatais de venda de equipamentos militares pretendem “fazer rentáveis no mercado exportador ao menos os produtos táticos”, sustenta o professor Draco. As melhores apostas repousam nas famílias de caças Sukhoi, os Su-35 e o sofisticado Su-T50, criado para enfrentamento direto com o americano F-22 Raptor e, ainda, com o chinês J-20. Melhor que isso: os tipos russos estão disponíveis para os negócios, diferentemente dos concorrentes, ainda fora do catálogo de sistemas de defesa.

O portfólio inclui os tanques T-90A modernizados, os blindados sobre rodas BTR para transporte de tropas e a grande variedade de mísseis antiaéreos, antinavio, de defesa costeira, ar-ar e ar-terra – além navios, aeronaves cargueiras, fuzis, granadas, sistemas de comunicações, munições, e radares. No total, perto de 3 mil itens.

O plano do governo, apoiado pela Duma, o legislativo russo, é destinar 3,7% do Produto Interno Bruto (PIB) o que equivale a um mínimo de US$ 76,5 bilhões em 2016 e de US$ 79,5 bilhões em 2017.

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