Rússia irá assinar cessar-fogo e retirar tropas, diz Sarkozy

Presidente francês afirma que líder russo concorda em firmar trégua aprovada mais cedo pela Geórgia

AP e Reuters,

15 de agosto de 2008 | 16h47

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, conversou nesta sexta-feira, 15, com o líder russo, Dmitry Medvedev, que concordou em assinar o cessar-fogo e retirar as tropas russas da Geórgia, anunciou o gabinete do chefe de Estado francês. "Medveded confirmou a ele que também assinará o acordo que a Rússia irá respeitar seus termos, principalmente aqueles sobre a retirada das forças russas", informou o comunicado de Paris.   Veja também: Geórgia assina trégua; EUA pedem força neutra Rússia: escudo agrava relações com os EUA NYT: Geórgia sofreu ataque virtual Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   A nota de Sarkozy não indicou quando a Rússia poderia assinar o cessar-fogo para o conflito no Cáucaso. O líder francês, que ocupa a Presidência temporária da União Européia (UE), ajudou a elaborar uma trégua firmada na terça-feira, que logo em seguida foi quebrada.   Segundo a agência russa Interfax, a Rússia quer ver a assinatura do presidente georgiano Mikheil Saakashvili na trégua antes de tomar qualquer mudança de posição no conflito entre os dois países. "Até nós vermos a assinatura de Mikhail Saakashvili no documento, não teremos nada para comentar", declarou uma fonte do ministério do Exterior russo, citado pela Interfax. "O tempo para conversas acabou. Agora é hora de ações concretas", continuou.   Enquanto isso, Saakashvili denunciava que tanques russos se dirigiam para mais duas cidades no centro da Geórgia - Khashari e Borjomi. O comboio russo avançou para uma vila a cerca de 45 quilômetros de Tbilisi, na mais profunda incursão de Moscou em território georgiano desde que o confronto começou, na última sexta-feira.   O avanço de cerca de 17 veículos armados e aproximadamente 200 soldados coincidiu com a visita da secretária americana de Estado americana, Condoleezza Rice, à Geórgia. Horas antes de assinar um cessar-fogo trazido pela enviada americana, Saakashvili disse aos repórteres que "agora temos um aumento da ocupação russa em nosso território."   Ao lado de Rice, Saakashvili afirmou que assinou a trégua para terminar o derramamento de sangue que já dura uma semana, culpando os russos pelo conflito, e denunciando a indiferença da comunidade internacional. A secretária de Estado dos EUA declarou que havia sido assegurada que Medvedev também assinará um documento idêntico.   "A Geórgia está sendo atacada. As forças russas tem que sair imediatamente do território georgiano", declarou Rice. "Com essa assinatura da Geórgia, isso tem que acontecer agora."   O conflito no Cáucaso se intensificou na semana passada, quando a Geórgia enviou tropas para a província separatista de Ossétia do Sul, uma região que declarou sua independência no começo da década de 1990 e manteve fortes laços com o governo de Moscou.   A Rússia respondeu à ação de Tbilisi com o envio de soldados e tanques para a província, bombardeando bases militares da Geórgia e atacando algumas cidades georgianas.   Saakashvili declarou que a Geórgia "nunca irá se render". Ele acusou o Ocidente de incentivar a agressão russa ao negar a entrada de seu país na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), em abril.   Repreensão americana   Rice alertou que as ações de Moscou podem ter sérias implicações no relacionamento com Washington e com os países ocidentais. "Isso levanta dúvidas sobre qual seria o papel que a Rússia de fato deseja desempenhar na política internacional."   Nesta sexta-feira ela reiterou o apoio americano à Geórgia e disse que a invasão russa terá "profundas implicações para a paz e a segurança" no mundo. "Temos de iniciar uma discussão sobre as conseqüências do que a Rússia fez", disse.   "Nós (os Estados Unidos), apoiamos a soberania da Geórgia, sua independência, integridade territorial, democracia e seu governo democraticamente eleito", concluiu Rice.

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