Rússia legitima sucessor de Putin neste domingo

Apoiado pelo governo e prometendo continuidade, Dmitry Medvedev pode vencer com mais de 70% dos votos

Agências internacionais,

02 de março de 2008 | 10h20

Os russos começaram no sábado a ir às urnas para eleger um novo presidente - o terceiro desde o colapso da União Soviética. Os primeiros postos de votação foram abertos às 17h00 de sábado, em Brasília, no extremo leste do país e serão encerradas neste domingo, 2, às 16 horas. O candidato do partido governista Rússia Unida e que tem o apoio do presidente Vladimir Putin, Dmitry Medvedev, é o favorito para vencer o pleito. Denúncias de fraudes já começam a surgir e manchar a imagem democrática de Moscou diante do Ocidente.  Veja também:Prosperidade sustenta poder do presidente País voltou a ser potência com PutinTV russa favorece candidato de Putin Entenda o processo eleitoral na Rússia  O candidato do Partido Comunista à Presidência da Rússia, Gennady Ziuganov, denunciou "várias irregularidades" nas eleições que acontecem no país. "Detectamos várias irregularidades, desde o emprego ilegal de cupons eleitorais a casos de governadores fazendo propaganda nas regiões", disse o líder dos comunistas na seção em que votou, em Moscou. Enquanto o resultado das eleições é amplamente esperado, há dúvidas sobre o nível de comparecimento às urnas. Para garantir a legitimidade do candidato eleito, o Kremlin espera obter, pelo menos, a mesma porcentagem registrada nas eleições parlamentares de dezembro, cerca de 63%. Mais de 109 milhões de russos têm o direito de votar, incluindo os que moram fora do país. Com base nos dados já disponíveis, o presidente da Comissão Eleitoral Central (CEC) da Rússia, Vladimir Churov, disse que a participação da população no pleito está entre 3% e 5% mais alta do que nas eleições de 2004, quando foi de 64%. O candidato também declarou que, em Orekhovo-Borisovo Yuzhnoye, cidade nos arredores de Moscou, cerca de 200 pessoas com cupons eleitorais eram levadas para votar em meios de transporte especiais. Para a oposição, esses cupons - retirados por eleitores quando vão votar fora da sua região de domicílio - podem ser facilmente utilizados em fraudes, já que a fiscalização do documento é falha. Medvedev votou bastante tranqüilo pela manhã, acompanhado de sua mulher. "Me sinto bem. A primavera há de chegar", assegurou. Os críticos do Kremlin afirmam que as maiores estações de televisão realizaram uma extensa cobertura a favor de Medvedev e que os funcionários eleitorais proibiram que vários candidatos opositores participassem de comícios. Segundo a BBC, o próprio chefe da Comissão Eleitoral, Vladimir Churov, admitiu que a cobertura havia sido desigual. Mas, para ele, foi legítimo o fato de Medvedev ganhar mais espaço por ocupar o cargo de vice-primeiro-ministro. Continuidade O alto favoritismo de Medvedev se deve, em grande parte, à popularidade de Putin, que deixa o poder com uma taxa de aprovação de cerca de 80%. Apesar de analistas destacarem a falta de um debate mais profundo na mídia e de uma oposição mais forte como fatores que contribuem para uma diferença tão grande entre Medvedev e os outros candidatos, ninguém duvida que os russos estejam votando neste domingo pela continuidade das políticas adotadas por Putin. Medvedev prometeu seguir as políticas "bem-sucedidas" do atual governo, mas tem defendido uma redução do papel do Estado na economia. Ele é visto por alguns como um político "mais liberal", em grande parte porque, ao contrário de Putin, nunca pertenceu aos serviços de segurança russos. Críticos apontam para uma crescente redução da liberdade de expressão no país. Um relatório divulgado na terça-feira pela Anistia Internacional, por exemplo, diz que várias organizações independentes de mídia foram fechadas, que assassinatos de jornalistas não são elucidados e que a polícia tem atacado manifestantes de oposição. Putin deixa o posto de presidente depois de oito anos no poder, já que a Constituição russa não permite um terceiro mandato consecutivo. Mas ele já disse que irá aceitar a oferta feita por Medvedev para ocupar o cargo de primeiro-ministro. Explosão Uma explosão deixou dois homens feridos em uma região ao sul da Rússia neste domingo, enquanto os russos votam para escolher seu novo presidente, informaram policiais locais. A explosão aconteceu na cidade de Khasavyurt, oeste da capital regional de Makhachkala. Um membro da polícia de Khasavyurt disse que o incidente não tinha conexão com a eleição e que não aconteceu em uma região de votação. A polícia não soube confirmar as notícias de uma segunda explosão.

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