Rússia mantém ocupação de cidade estratégia na Geórgia

Autoridades dizem que tropas russas controlam 4 cidades em território georgiano apesar de cessar-fogo

Agências internacionais,

15 de agosto de 2008 | 09h22

Tropas russas permitiram a entrada de ajuda humanitária na cidade de Gori, embora ainda mantenham o bloqueio aos militares georgianos. Autoridades da Geórgia afirmaram nesta sexta-feira, 15, que pelo menos outras três cidades importantes do país permanecem ocupadas - Poti, Senaki e Zugdidi - durante o conflito com a ex-república soviética.   Veja também: Rice vai à Geórgia para garantir cessar-fogo Rússia: escudo antimíssil agrava relação com EUA Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   Gori está estrategicamente localizada a 60 km a leste da capital Tbilisi, próxima à região separatista da Ossétia do Sul, e ainda é controlada pelos militares russos. "Passei toda a noite em Gori. A cidade é patrulhada pelas forças de ocupação russas, mas a situação é de calma", disse o secretário do Conselho de Segurança Nacional, Aleksandr Lomaya. "Os russos prometeram que permitirão a passagem de ajuda humanitária", acrescentou o alto funcionário.   O porta-voz do Ministério do Interior, Shota Utiashvili, afirmou que no oeste do país as tropas russas ocupam Poti, o principal porto comercial da Geórgia, e as cidades de Senaki e Zugdidi, esta última fronteiriça com a Abkházia, a segunda região separatista georgiana. Utiashvili indicou que as forças de ocupação destroem as infra-estruturas militares em Zugdidi e Senaki, onde se encontravam uma base policial e uma militar, respectivamente.   Bombas de fragmentação   Num documento divulgado nesta sexta, o Human Rights Watch (HRW) assegura que aviões de combate russos despejaram bombas de fragmentação que já causaram a morte de 11 civis e provocaram ferimentos em dezenas de pessoas na cidade de Gori e no povoado de Ruisi. O grupo humanitário exigiu da Rússia que pare de usar essas armas, que mais de cem países concordaram recentemente em colocar na ilegalidade.   Quando detonadas, as bombas de fragmentação liberam cápsulas explosivas menores a esmo em várias direções, o que aumenta as chances de civis serem atingidos. Muitas dessas cápsulas não explodem imediatamente, ficando dormentes por meses ou anos e ameaçando civis que circulam pelas áreas atacadas tempos depois do término dos conflitos nos quais esses armamentos foram empregados. Além disso, as cores chamativas dessas cápsulas dormentes atraem a atenção de crianças, tornando-as vítimas comuns desses artefatos.   O Ministério da Defesa da Rússia nega que tenha usado bombas de cacho,  informou a agência de notícias Itar-Tass. Um funcionário não identificado da pasta alegou que o HRW teria coletado informações de testemunhas parciais.   Esforço diplomático   Um esforço diplomático tenta ratificar o frágil cessar-fogo entre Rússia e Geórgia e garantir a retirada das tropas russas do território georgiano. A secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, chegou ao país nesta sexta-feira para assegurar a assinatura da proposta pelo presidente Mikhail Saakashvili, que afirma que precisa analisar melhor o documento mediado pela França. Rice afirma que os EUA não permitiram a assinatura de uma proposta que não protegesse os interesses georgianos. O país é um dos maiores aliados americanos na região e na Guerra do Iraque.   A chanceler da Alemanha, Angela Merkel, está na Rússia para se reunir com o presidente Dmitri Medvedev e discutir o conflito na região. O chefe do Kremlin e a líder do governo alemão estudarão, em particular, o "conjunto de medidas necessárias para superar a catástrofe humanitária na Ossétia do Sul", região separatista na qual a Rússia posicionou o Exército para protegê-la das tropas georgianas. A chanceler alemã viajará no sábado a Tbilisi, onde se reunirá com o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili.

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