Rússia manterá tropas em províncias separatistas da Geórgia

Posicionamento de 7.600 soldados não rompe acordo sobre retirada do território georgiano, diz governo russo

Agências internacionais,

09 de setembro de 2008 | 08h44

A Rússia afirmou nesta terça-feira, 9, que manterá tropas dentro de duas regiões separatistas da Geórgia por um longo período e, na avaliação de Sergei Lavrov, ministro russo de Relações Exteriores, a presença delas nessas áreas não é afetada pelo acordo no qual a Rússia concordou em se retirar do país vizinho. Além disso, o ministro da Defesa Anatoly Serdyukov disse que o Exército planeja instalar 7.600 homens nas bases das Ossétia do Sul e da Abkházia, regiões com aspirações pró-Moscou.   Veja também: Entenda o conflito separatista na Geórgia   O chanceler russo afirmou que a presença militar russa é necessária para prevenir tentativas georgianas de retomar o controle das províncias separatistas com o uso da violência. A intervenção da Rússia no mês passado, na qual as forças do país esmagaram a tentativa georgiana de tentar retomar o controle sobre a Ossétia do Sul, gerou ampla condenação internacional além de preocupações envolvendo a segurança do fornecimento energético. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, conseguiu o comprometimento de Moscou de retirar suas forças de territórios georgianos que não estão sob disputa em um mês. Elas serão substituídas por uma força internacional que incluirá um contingente de 200 militares da União Européia.   Mas, no acordo de segunda-feira, não houve menção explícita à presença das forças russas na Ossétia do Sul e na outra região separatista georgiana, a Abkházia, embora o Ocidente tenha exigido anteriormente que os militares russos retornem à posição que ocupavam antes do conflito. "As forças russas estão no território da Ossétia do Sul e da Abkházia atendendo um pedido dos presidentes e parlamentos dessas repúblicas e sob instruções do presidente russo", disse Lavrov em entrevista coletiva. "Nos próximos dias um acordo deve ser assinado e ele dará base legal para a presença das forças russas. Elas ficarão lá por um longo tempo. Isso é necessário para impedir a continuação da agressão georgiana."   Segundo a agência russa Interfax, o ministro da Defesa afirmou ainda ao presidente russo, Dmitri Medvedev, que em negociação com os líderes das duas províncias foi definido que cada região terá 3.800 soldados russos. Medvedev pediu para que Serdyukov determine como Moscou implementará o pedido para "instalar bases" nessas regiões.   A Rússia ainda estabeleceu relações diplomáticas com as regiões separatistas georgianas cuja independência foi reconhecida por Moscou em 26 de agosto. "Trocamos notas, que contemplam o estabelecimento de relações diplomáticas entre Rússia e Abkházia, e entre Rússia e Ossétia do Sul", disse o ministro de Relações Exteriores da Rússia citado pelas agências russas. Moscou também definiu com as autoridades separatistas a assinatura de acordos de amizade, cooperação e assistência mútua em caso de agressão externa, que também abre a possibilidade de que a Rússia construa instalações militares no território dessas repúblicas separatistas.   As tropas russas estacionadas há um mês na Geórgia têm mais 30 dias para deixar o país e retornar às províncias separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul. O prazo foi determinado por um novo acordo firmado após três horas de negociações, na segunda, em Moscou, pelo presidente em exercício da União Européia, Nicolas Sarkozy, e presidente da Rússia, Dmitri Medvedev. Embora tenha sido saudado como uma vitória diplomática na Europa Ocidental, o documento não trata do status das duas províncias, cuja independência originou o conflito armado entre a Rússia e a Geórgia, nem garante o retorno do Exército russo a seu país.   O acordo também veio acompanhado de uma carta assinada pelo presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e entregue por Sarkozy a Medvedev, na qual o líder georgiano se compromete a não voltar a usar a força contra as províncias. Em troca, a Rússia comprometeu-se a desmantelar, em uma semana, os postos de checagem militares na rodovia que liga a capital, Tbilisi, a Poti, cidade portuária situada no oeste da Geórgia, próximo à Abkházia.   Após esse prazo, as tropas terão de recuar às duas províncias ou retornar à Rússia. Em toda a Geórgia, mais de mil soldados russos - chamados de "forças de manutenção da paz" pelo Kremlin - ainda estão estacionados na Geórgia desde o acordo de cessar-fogo firmado em 12 de agosto. O descumprimento do acordo pelo Kremlin vem sendo denunciado por observadores internacionais e militantes de organizações de ajuda humanitária.   (Com Andrei Neto, de O Estado de S. Paulo)   Matéria atualizada às 9h50.

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