Rússia não teme exclusão do G8, diz Medvedev

Presidente russo diz que medida seria 'técnica eleitoral' americana; bloco perderia mais que Moscou, afirma

Agências internacionais,

02 de setembro de 2008 | 16h03

A Rússia não teme uma possível exclusão do G8 pela crise na Geórgia, declarou nesta terça-feira, 2, o presidente russo, Dmitri Medvedev. Para ele, a medida, que tem sido pedida por alguns governos, seria uma "técnica eleitoral" americana. Em entrevista para a emissora italiana RAI, retransmitida pela televisão russa, Medvedev disse ainda que seu país não firmará nenhum acordo com Mikhail Saakashvili, presidente da Geórgia, que foi chamado pelo chefe de Estado russo de "cadáver político." Veja também:Rússia ameaça responder contra presença de navios da OtanRússia critica UE por suspender acordos após crise no CáucasoRússia diz já ter cumprido acordo de paz com GeórgiaEntenda o conflito separatista na Geórgia  "Não tememos uma exclusão do G8. Consideramos que o grupo não é capaz de solucionar certos problemas sem a participação de outros países, declarou Medvedev. "Atribuo os pedidos que estão sendo feitos [para a exclusão da Rússia] a uma técnica eleitoral americana para aumentar o índice de popularidade através do conflito", continuou, sem dar outros detalhes. No mesmo sentido, na semana passada o primeiro-ministro Vladimir Putin afirmou que o conflito no Cáucaso teria sido orquestrado pelos EUA. Sem citar nomes, ele deu a entender a Casa Branca estaria tentando favorecer o candidato republicano à Presidência, John McCain.  Medvedev também alertou que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) poderá perder mais que a Rússia se seus laços forem rompidos. "Não é difícil suspendermos as relações se nossos sócios assim quiserem, mas, no meu ponto de vista, eles saem perdendo", apontou. Mais cedo, Putin declarou durante uma visita ao Usbequistão que Moscou irá responder a crescente presença de navios da aliança atlântico no Mar Negro com "calma e sem histeria". "Mas, claro, haverá uma resposta", ameaçou. Oficiais da Rússia acusam os EUA de enviarem armas para a Geórgia sob o disfarce de ajuda humanitária. Na semana passada, um alto general russo disse que a presença naval americana no Mar Negro é "diabólica."

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