Rússia nega entrada de monitores da UE na Ossétia do Sul

Exército afirma que falta de acordo técnico impede entrada de observadores da retirada russa da Geórgia

Agências internacionais,

30 de setembro de 2008 | 09h29

O Exército russo afirmou nesta terça-feira, 30, que os observadores enviados pela União Européia (UE) não terão acesso imediato à zona de segurança que Moscou criou em torno da província separatista georgiana da Ossétia do Sul, reforçando as acusações da Geórgia de que as tropas russas estariam retardando a retirada da região. Depois da incursão russa na Geórgia no mês de agosto, Moscou estabeleceu uma zona de segunda ao redor da Ossétia, província georgiana cuja independência foi reconhecida pelo Kremlin. Os observadores da UE querem entrar na região para checar se a retirada das tropas russas, combinada no acordo de cessar-fogo mediado pela França, está sendo cumprido. Porém, o Exército russo afirmou que um acordo técnico para o acesso ainda não foi finalizado. Os observadores, que começarão a chegar na quarta-feira, poderão atuar até a fronteira sul da zona de segurança, segundo um acordo alcançado entre as partes, segundo afirmou o porta-voz do Exército Vitali Manushko, chefe das Forças de Paz russas na Ossétia do Sul, citado pela agência russa Interfax. O alto representante de Política Externa e Segurança Comum da União Européia (UE), Javier Solana, chegou hoje a Tbilisi para começar os trabalhos dos observadores civis enviados pelo bloco europeu à Geórgia. No aeroporto, foi recebido pela vice-ministra de Assuntos Exteriores da Geórgia, Nino Kalandadze, e depois foi a uma reunião prevista com os observadores. Solana afirmou que estava otimista de que Moscou cumpriria com o cessar-fogo e retiraria as tropas da zona de segurança até o dia 10 de outubro. A Geórgia e seus aliados ocidentais argumentam que a presença das tropas viola o acordo mediado pela União Européia, que prevê a retirada dos dois lados para as posições anteriores ao início do confronto, em 7 de agosto. A Rússia já mantinha tropas de monitoramento nas duas províncias, porém em número menor. Os 300 monitores de 22 países da UE, que têm mandato até pelo menos 2009, ficarão em quatro pontos quase permanentemente, entre eles a cidade de Gori, no centro do país, e Poti, cidade portuária no Mar Negro. Não está claro se esses observadores terão algum papel, caso haja violência. A guerra começou com a invasão de tropas georgianas na capital da Ossétia do Sul. Em seguida, as forças russas reagiram, expulsando os invasores e tomando posições no território da Geórgia.

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