Rússia permitirá passagem de armas dos EUA para o Afeganistão

Acordos de cooperação e desarmamento nuclear devem ser assinado por Obama e Medvedev na próxima semana

03 de julho de 2009 | 10h39

Um alto funcionário do governo russo afirmou nesta sexta-feira, 3, que a Rússia permitirá que os Estados Unidos enviem armas para o Afeganistão através de seu território. Serguei Prikhodko, assessor do Kremlin para Assuntos Internacionais, disse ainda que os presidentes da Rússia, Dmitri Medvedev, e dos EUA, Barack Obama, assinarão na próxima semana em Moscou um acordo marco sobre desarmamento nuclear.

 

Moscou já permite que os EUA transportem bens não-Letais pelo território russo em apoio às operações no Afeganistão. Segundo o funcionário, o acordo que deve ser assinado durante a visita de Obama ao país permitirá o transporte de armamentos aéreo e por terra. Prikhodko afirmou ainda que não está claro que soldados americanos e outros funcionários terão permissão para viajar pela Rússia até o Afeganistão, pois os EUA não teriam feito tal pedido.

 

A rota normal para fornecer suprimentos para as tropas no Afeganistão passa pelo Paquistão, mas está sob constante ataque do Taleban, obrigando os EUA e a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) a buscarem caminhos alternativos pelos países da Ásia Central e pela Rússia. A confirmação do acordo adianta o tom construtivo que deve, segundo analistas, predominar durante os encontros entre Obama e Medvedev na próxima semana.

 

Desarmamento nuclear

 

Um tratado sucessor visando a redução de armas nucleares de longo alcance construído pelas antigas superpotências rivais durante a corrida armamentista da Guerra Fria será o tópico principal nas conversas entre Medvedev e Obama em Moscou, na próxima semana. Um novo pacto de armas após o tratado START de 1991, que expira em 5 de dezembro, é o foco das atenções de Medvedev e do presidente norte-americano, Barack Obama, para melhorar as relações bilaterais que ruíram aos piores níveis pós-Guerra Fria na administração anterior dos Estados Unidos.

 

O START-1 estipula que nenhum dos dois lados pode empregar mais de 6.000 mísseis nucleares e não mais de 1.600 veículos de transporte estratégico, o que inclui mísseis balísticos intercontinentais, submarinos e bombardeiros.

 

O assessor do Kremlin para Assuntos Internacionais disse ainda que a Rússia espera chegar a um acordo com os EUA sobre o desarmamento nuclear. "Este será um acordo marco. Evidentemente, conterá números e volumes. Será politicamente vinculativo, mas não terá um caráter jurídico", disse Prikhodko, segundo as agências russas.

 

Em relação ao corte dos arsenais que deverá estabelecer o novo acordo de desarmamento, o funcionário do Kremlin ressaltou que "o número de ogivas nucleares será menor do que 1,7 mil, enquanto no que diz respeito aos portadores, as conversas continuam". Além disso, explicou que a Rússia mantém sua postura de envolver a assinatura do novo acordo que substitua o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (Start) com os planos americanos de desdobrar um escudo antimísseis na Europa, ao qual Moscou se opõe.

 

As conversas de desarmamento, anunciadas por ambos os presidentes em sua primeira reunião de abril passado em Londres, não produziram por enquanto resultados concretos, segundo informaram fontes ligadas às negociações.

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