Rússia planeja construir zona de segurança na Ossétia do Sul

General acusa Geórgia de cerca província separatista e promete barreira com militares russos na fronteira

Agências internacionais,

20 de agosto de 2008 | 09h05

O subchefe do Estado-Maior do Exército da Rússia, Anatoli Nogovitsin, disse nesta quarta-feira que a Geórgia não renunciou a uma solução militar para o conflito da Ossétia do Sul e reposicionou tropas nos arredores da província separatista pró-Moscou. O general afirmou ainda que a Rússia pretende construir uma barreira para formar uma zona de segurança na região da fronteira entre Geórgia e a Ossétia do Sul.   Veja também: Rússia controla Gori, mas abandona 4 postos Cruz Vermelha manda equipe para Ossétia do Sul Rússia desqualifica Otan; retirada acaba na 6.ª Geórgia e Rússia fazem 1ª troca de prisioneiros Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   A acusação foi feita um dia após a Rússia rejeitar um esboço de resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas sobre a Geórgia, proposto pela França, alegando que ele contradiz os termos do acordo de cessar-fogo mediado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, na semana passada. Segundo a BBC, o embaixador russo na ONU, Vitaly Churkin, disse que a resolução deveria incorporar nela o plano de paz promovido pela França e já firmado pela Rússia e pela Geórgia. O texto reafirma a integridade territorial da Geórgia e pede à Rússia que faça suas forças recuarem para as posições mantidas antes do atual conflito. Mas a Rússia disse que o cessar-fogo que aceitou na semana passada permite que suas tropas se retirem para uma zona de segurança no lado georgiano da fronteira da Ossétia do Sul.   Nogovitsin afirmou em entrevista coletiva, transmitida ao vivo pela rádio que a barreira a ser construída contará com cerca de 270 soldados em 18 postos de checagem espalhados no limite entre a Ossétia do Sul, cujos separatistas contam com o apoio de Moscou, e a Geórgia. Os planos mostram claramente que a Rússia pretende solidificar o seu controle sobre a província georgiana. Oficialmente, a Ossétia do Sul faz parte da ex-república soviética, mas Moscou já afirmou que aceitará o status que os líderes separatistas considerarem mais adequado - serem independentes ou incorporados ao território russo.   Em resposta às conseqüências da criação de um comitê formado pela Geórgia e organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o general ainda afirmou que o apoio a Tbilisi pode levar a Geórgia a lançar uma nova agressão. A aliança atlântica congelou as relações com o governo da Rússia até que todo o efetivo militar russo na Geórgia seja retirado da região de conflito. A resolução foi emitida no mesmo dia em que o Kremlin anunciou que retiraria todos seus soldados da Geórgia até sexta-feira.   "A ação militar da Rússia foi desproporcional e contrária a seu papel de manutenção de paz, assim como incompatível com os princípios da resolução pacífica de conflitos", afirmaram em nota os chanceleres da Otan após reunião extraordinária em Bruxelas, na Bélgica. A Otan também afirmou que aumentará seus contatos com a Geórgia, mas não especificou se acelerará a entrada do país na organização.   A decisão da Otan provocou uma dura condenação de Moscou, que acusou a aliança de apoiar um "regime criminoso" em Tbilisi. De acordo com o chanceler russo, Serguei Lavrov, a Otan "está tentando fazer do agressor uma vítima e absolver de culpa um regime criminoso e em colapso". Ele também afirmou que a Rússia não está ocupando a Geórgia e nem tem interesse em anexar as províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkázia.   A Rússia também tem objeções em relação a termos referentes à integridade territorial georgiana, alegando que ela está desatualizada uma vez que a Ossétia do Sul e a Abecásia não querem ser parte da Geórgia. Segundo o embaixador russo na ONU, submeter o texto de resolução à votação será uma perda de tempo. A Rússia pode vetar resoluções da ONU.

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