Rússia planeja novas armas nucleares para aprimorar defesa

Em entrevista anual transmitida pela televisão, presidente ataca EUA e faz balanço de problemas do governo

Reuters e Efe,

18 de outubro de 2007 | 09h33

O presidente russo, Vladimir Putin, prometeu nesta quinta-feira, 18, o desenvolvimento de novas armas nucleares como parte da reestruturação militar russa, e argumentou que a experiência do Iraque mostra a necessidade de que países ricos em recursos tenham defesas sólidas.  Veja também:Putin pede que EUA definam saída do IraquePresidente defende Irã e denuncia complô "Vamos desenvolver tecnologia de mísseis, incluindo completamente novos complexos estratégicos (nucleares)", disse o presidente durante uma sessão anual de perguntas e respostas com cidadãos russos. "O trabalho continua e continua com sucesso." "Temos planos que não só são grandes, mas grandiosos. Eles são inteiramente realistas. Nossas forças armadas serão mais compactas, mas mais eficientes para garantir uma melhor defesa à Rússia", afirmou.  Segundo uma nota das Forças Estratégicas do país, o Exército testou nesta manhã um míssil balístico intercontinental. O novo armamento foi testado com sucesso a partir da base de Plesetsk, no norte do país. O lançamento faz parte do programa de extensão dos mísseis de longo alcance", disse um porta-voz das FER à agência Interfax. Em conversa com cidadãos russos via TV, Putin também disse que os Estados Unidos deveriam marcar uma data para retirar todas as suas tropas do Iraque, e alertou Washington a não usar a força contra o Irã. A cerca de dois meses das eleições parlamentares, Putin celebrou o crescimento econômico e a melhoria do padrão de vida no país. Falando a espectadores de várias cidades, ele admitiu que a inflação, que já atinge 8,5% desde janeiro e supera a meta do governo para o ano inteiro, é um problema, que ele atribuiu a fatores econômicos globais, como cortes nos subsídios agrícolas europeus e a demanda por biocombustíveis.  Putin também argumentou que a crise demográfica russa está se resolvendo, pois a taxa de natalidade atinge seu maior nível em 15 anos e a taxa de mortalidade reduziu-se aos patamares de 1999. O presidente russo prometeu ainda apoiar alguém que considere capacitado a sucedê-lo. As pesquisas indicam que ele conseguiria transferir sua forte popularidade ao seu escolhido. Aos 55 anos, o líder do Kremlin afirmou que vai manter sua influência após deixar o poder. Neste mês, ele acenou com a hipótese de se tornar primeiro-ministro. Alguns observadores não descartam que ele tente voltar posteriormente à presidência.  Mais de um milhão de russos se candidataram para fazer perguntas a Putin. É o sexto ano consecutivo dessa entrevista, quase certamente a última do gênero antes de o presidente encerrar seu segundo mandato, no ano que vem. A Constituição o proíbe de buscar a reeleição novamente em março de 2008.  Matéria ampliada às 12h30.

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