Rússia pode suspender cooperação militar com a Otan

Plano teria sido anunciando por Moscou ao governo norueguês; enviado russo na aliança defende cooperação

Agências internacionais,

20 de agosto de 2008 | 17h11

O Ministério da Defesa norueguês declarou nesta quarta-feira, 20, que a Rússia tem planos de suspender todos os laços militares com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan). O  secretário de Estado da Noruega, Barth Eide, informou que a embaixada do país recebeu uma ligação do Ministério da Defesa russa nesta quarta-feira, que dizia que Moscou planeja "congelar toda a cooperação militar com a Otan e países aliados."   Veja também: Rússia quer zona de segurança na Ossétia do Sul  Rússia controla Gori, mas abandona 4 postos Cruz Vermelha manda equipe para Ossétia do Sul Rússia desqualifica Otan; retirada acaba na 6.ª Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   Autoridades russas não confirmaram imediatamente a informação, enquanto nos escritórios da Otan oficiais da aliança disseram que não foram informados de nenhuma mudança. Os ministros do Exterior da Otan suspenderam as relações formais com a Rússia na terça-feira, como punição pela invasão da Geórgia.   Ao mesmo tempo, o enviado da Rússia na aliança disse em entrevista à agência Reuters que a cooperação com a Otan é crucial. Ele afirmou ainda que a Rússia irá se comportar de maneira pragmática após a decisão da organização em congelar seus laços com Moscou.   "Vamos analisar cuidadosamente essa situação. Não haverá nenhuma ação agressiva de ninguém do nosso lado. Vamos nos comportar de maneira pragmática", declarou Dmitry Rogozin, destacando que "definitivamente não acontecerá uma guerra fria."   "Estou planejando dar alguns sinais a respeito da cooperação militar nos próximos dias. Acredito que serão recebidos positivamente pelos meus colegas da Otan", acrescentou o russo. "Sem o apoio da Rússia no Afeganistão, a aliança poderá enfrentar um novo Vietnã. Isso é muito claro para todos. Militarmente, a Otan e a Rússia possuem uma relação muito boa", continuou.   Resolução da ONU   Ainda nesta quarta-feira, a Rússia apresentou ao Conselho de Segurança da ONU seu próprio projeto de resolução para alcançar o fim do conflito na Geórgia, após rejeitar outro proposto na terça pela França, que defendia a soberania de Tbilisi sobre todo o território georgiano.   "Hoje decidimos nos dirigir ao Conselho de Segurança e apresentarmos um projeto de resolução que reproduz palavra por palavra os seis pontos do plano de paz do presidente (francês, Nicolas) Sarkozy e do presidente (russo, Dmitri) Medvedev", declarou o embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin.   Para o diplomata, o texto apresentado na terça-feira pela França "inexplicavelmente distanciou" o Conselho de Segurança do trabalho de ratificar o plano de paz apresentado por Sarkozy, em nome da União Européia (UE), e assinado por Moscou e Tbilisi na semana passada.   A minuta francesa exigia o cumprimento imediato do cessar-fogo e a retirada das tropas de ambos os lados, incluindo o recuo das forças russas a suas posições anteriores ao início das hostilidades em 7 de agosto. Também pedia que se respeitasse as fronteiras da Geórgia reconhecidas pela comunidade internacional, que incluem as regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia.   O projeto de resolução russo, no entanto, não faz menção à integridade territorial georgiana e se limita a reproduzir os seis pontos do plano de paz.   Moscou considera que o conflito - para os russos, iniciado por Tbilisi - pôs em dúvida a soberania da Geórgia sobre as duas regiões separatistas e que o status futuro de ambas deve fazer parte de qualquer negociação internacional sobre o conflito.   "Não se pode falar de como obter uma situação de segurança perdurável nas regiões sem que seja abordado o assunto do status futuro da Ossétia do Sul e da Abkházia", disse Churkin, na saída de uma reunião do órgão.   Repercussão   A decisão russa de apresentar sua próprio minuta pareceu surpreender os membros ocidentais do Conselho de Segurança, que evitaram opinar sobre o texto até estudá-lo melhor. "Nosso objetivo continua sendo conseguir que o Conselho de Segurança apóie um Mapa de Caminho para a solução do conflito com base no plano de paz", apontou o embaixador adjunto da França, Jean-Pierre Lacroix.   Para ele, dentro do marco das discussões é necessário respeitar a integridade territorial da Geórgia, um princípio que o Conselho de Segurança respaldou em resoluções anteriores.   Já o embaixador adjunto americano Alejandro Wolf a que a atual presença de tropas russas em solo georgiano é uma violação do plano de paz assinado na semana passada. "O que a Rússia precisa é cumprir seus compromissos", acrescentou.   Denúncia   O presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, disse à agência Associated Press que o Exército russo está diminuindo sua presença em algumas cidades, mas está ocupando "novas áreas estratégicas na Geórgia". Ele declarou ainda que as promessas de retirada de Moscou são "campanhas de decepção."

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