Rússia prende dez por morte de jornalista

Detidos devem ser acusados pelo assassinato de Anna Politkovskaya, crítica da política russa na Chechênia

Efe,

27 de agosto de 2007 | 07h35

O Procurador-geral da Rússia, Yuri Chaika, anunciou nesta segunda-feira, 27, a detenção de dez pessoas ligadas ao assassinato da jornalista Anna Politkovskaya, conhecida por criticar a política do Kremlin na Chechênia. Segundo a versão online da publicação, policiais e agentes estão entre detidos.    "Avançamos muito na investigação do caso penal aberto pelo assassinato da jornalista Politkovskaya (Anna)" em 7 de outubro de 2006, assegurou Chaika, citado pelas agências russas. Ele acrescentou que "nos próximos dias" serão apresentadas acusações contra os detidos. "Atualmente dez pessoas estão detidas por causa deste caso", disse Chaika durante uma reunião com o presidente russo, Vladimir Putin.   A publicação quinzenal Novaya Gazeta, onde Anna trabalhava, revelou nesta segunda que entre os detidos pelo assassinato da jornalista há agentes - aposentados e na ativa - da Polícia e dos serviços secretos.   "Naturalmente, dizer que o assassinato de Anna foi esclarecido ainda é prematuro. Não foram detidos todos os participantes e será preciso provar a culpa dos que foram detidos", afirma a nota publicada pela revista em sua página digital. Anna, de 48 anos, foi assassinada com um tiro no peito e outro na cabeça na porta de sua casa em Moscou. A jornalista, que trabalhava desde 1999 para a publicação opositora e era autora de vários livros nos quais criticava com dureza o atual presidente russo, recebeu postumamente diversos prêmios internacionais. A jornalista foi morta enquanto preparava um artigo sobre as torturas sistemáticas na Chechênia, que foi publicado por seus companheiros cinco dias após sua morte. O jornalista e militar russo Viacheslav Izmailov, que investiga a morte de sua colega a pedido do Novaya Gazeta, assegurou que os assassinos de Politkovskaya pertencem ao entorno do presidente checheno, Ramzan Kadyov. Anna, nascida em Nova York, em 1958, no seio de uma família de diplomatas soviéticos de origem ucraniana, tinha cidadania russa e americana.

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