Rússia promete 'esmagar' futuros agressores

O presidente russo, Dmitry Medvedev,prometeu na segunda-feira uma "reação esmagadora" contraeventuais ataques a seus cidadãos, enquanto a Geórgia esperasinais concretos da prometida desocupação russa. Logo depois do pronunciamento de Medvedev, militares russosanunciaram o início da retirada, o que a Geórgia disse nãoestar ocorrendo. "Se alguém acha que pode matar nossos cidadãos e escaparimpune, nunca permitiremos isso", disse Medvedev a veteranos daSegunda Guerra Mundial na cidade de Kursk. "Se alguém tentarisso de novo, vamos aparecer com uma reação esmagadora. Temostodos os recursos necessários --políticos, econômicos emilitares. Se alguém tinha alguma ilusão a respeito, tem deabandoná-las." A Rússia invadiu a Geórgia no começo do mês, depois queTbilisi enviou tropas para tentar recuperar o controle da suaregião separatista da Ossétia do Sul, que desde a década de1990 goza de autonomia sob proteção de Moscou. Em Moscou, o Estado-Maior russo anunciou em sua entrevistadiária à imprensa que a desocupação havia começado, segundo oplano mediado pela comunidade internacional. Tbilisi negou. "Os russos não estão se retirando, estão nos mesmoslugares. Estão em Senaki, Khashuri, Zugdidi e Gori", disse àReuters Shota Utiashvili, funcionário do Ministério doInterior, por volta de 7h30 (hora de Brasília). Soldados e blindados russos montaram barreiras em umaimportante rodovia georgiana. Em postos de controle de Gori(centro da Geórgia), um repórter viu blindados entregandocaixas, aparentemente de ração para os militares. Questionadosobre a duração de sua permanência, um soldado de Volgogradorespondeu: "Não sabemos. Nossas ordens são para ficar aqui." Essa é a maior mobilização russa no exterior desde o fim daUnião Soviética, em 1991. A União Européia e os Estados Unidospressionam Moscou a desocupar rapidamente a Geórgia, cujogoverno é fortemente aliado ao Ocidente. O Ocidente quer o envio imediato de monitoresinternacionais para fiscalizar a trégua, mas ainda não háacordo nesse sentido. A ONU disse que um primeiro comboio de ajuda conseguiuentrar no domingo em Gori, onde a entidade disse haver "clarossinais de saques generalizados", embora os prédios não estejammuito danificados. A TV georgiana mostrou tropas russas deixando a cidade deSenaki (oeste), mas não está claro se isso é parte dadesocupação como um todo. (Reportagem adicional de Guy Faulconbridge em Moscou,Margarita Antidze em Tbilisi)

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