Rússia promete retirada até sexta, mas ocupa cidade na Geórgia

Região do porto petrolífero de Poti é isolada por caminhões russos; general reafirma retorno militar no prazo

Agências internacionais,

21 de agosto de 2008 | 09h52

O comando militar da Rússia reiterou nesta quinta-feira, 21, que completará na sexta a retirada de suas tropas para a área de responsabilidade das forças de paz na Ossétia do Sul, enquanto as autoridades georgianas denunciam que as unidades russas ampliam as regiões de ocupação. Militares russos tomaram posições na entrada da principal cidade portuária da Geórgia, Poti, apesar da promessa de Moscou de retirar os soldados da ex-república soviética.   Veja também:  Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia   Em entrevista coletiva, Anatoly Nogovitsy, subchefe do Estado-Maior russo, disse que Moscou está se empenhando ao máximo para cumprir o que foi determinado em um acordo de paz mediado pela França. O Ocidente demonstra crescente impaciência com a demora na desocupação russa. Ainda que o presidente russo, Dmitri Medvedev, tenha se comprometido a retirar as tropas até sexta, os efetivos russos aparentemente mantêm a presença do território georgiano. Vários veículos blindados e caminhões de transporte de tropas bloquearam uma ponte que é o único acesso por terra a Poti, onde está localizado o principal porto petrolífero da região.   "A retirada começou em tal ritmo que até o final de 22 de agosto todas as forças da Federação Russa estarão atrás da linha da nossa zona de responsabilidade", disse o militar. Mas o presidente pró-ocidental da Geórgia, Mikhail Saakashvili, disse não notar uma retirada séria dos russos, que ao invés disso estariam ampliando as áreas sob ocupação. "Eles não demonstram nenhum sinal de que queiram ceder o controle", disse Saakashvili a jornalistas em Tbilisi. "Parece que a palavra 'retirada' é entendida de formas diferentes por pessoas diferentes."   A Geórgia teme que a Rússia esteja instalando postos de controle militar nos limites da chamada zona-tampão - algo que permitiria aos russos, mesmo após uma eventual retirada, controlar o tráfego ao longo de uma importante rodovia que liga o leste ao oeste da Geórgia, com grande importância econômica. A Geórgia argumenta que nem o plano de cessar-fogo nem acordos anteriores a respeito da disputa territorial autorizam a Rússia a estabelecer os postos de controle.   A agência russa Interfax informou que uma coluna militar russa que deixou a fronteira administrativa da Ossétia do Sul tomou rumo em direção à vizinha república russa da Ossétia do Norte. A coluna, integrada por mais de 40 veículos militares, incluindo carros de combate, transportes blindados, plataformas de lançamento múltiplos de foguetes e caminhões, passou sem ser detida pelos arredores de Tskhinvali, a capital da Ossétia do Sul. Nogovitsin assinalou que veículos aéreos de outros Estados só podem sobrevoar a área de responsabilidade das tropas de paz com autorização russa.   O chefe adjunto do Estado-Maior Geral ironizou a ajuda humanitária que os Estados Unidos enviaram à Geórgia, ao responder a uma pergunta sobre o conteúdo dessas cargas. Nogovitsin disse que a assistência humanitária incluía mais de dois mil pacotes de uso pessoal, como papel higiênico, desodorantes e outros artigos. "Esta ajuda chegou tarde. As tropas georgianas necessitavam dela quando estavam retrocedendo. Mas antes tarde do que nunca", acrescentou.   O conflito começou no dia 7, quando a Geórgia mobilizou tropas para tentar reassumir o controle da Ossétia do Sul, uma região separatista e etnicamente diversa que desde 1992 goza de autonomia sob a proteção de Moscou. Aproveitando sua superioridade militar, a Rússia reagiu enviando tropas não só à Ossétia do Sul como a partes da Geórgia propriamente dita. Houve intensos combates, nos quais os russos afinal prevaleceram.

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