Rússia propõe pacto que substitua a Otan na Europa

Presidente russo defende novo acordo sem que nenhum país monopolize segurança, em crítica aos EUA

Agências internacionais,

08 de outubro de 2008 | 11h10

O presidente russo, Dmitri Medvedev, propôs nesta quarta-feira, 8, a criação de um novo pacto de segurança para a Europa, que substitua a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e que proíba expressamente o uso da força. Medvedev disse ainda que o organismo deve deixar claro que nenhum Estado pode monopolizar a segurança, em clara referência aos Estados Unidos e o escudo antimísseis que pretende instalar no Leste Europeu. Medvedev se reuniu na França com o presidente Nicolas Sarkozy, onde defendeu a redefinição da segurança européia, propondo o novo pacto que supere a Otan - aliança da qual não faz parte e acusas os EUA de a usarem para seus interesses. O presidente russo disse ainda que a ampliação da Otan está levando a infra-estrutura militar do grupo para as fronteiras russas. O líder russo propôs que o novo acordo estabeleça a proibição do uso da força e deixe claro que nenhum país deve ter monopólio para garantir a segurança, papel que os EUA defendem dentro da Otan segundo a opinião russa. Medvedev ainda elogiou o papel da Europa no recente conflito na Geórgia, onde a Rússia interveio militarmente em defesa das províncias separatistas georgianas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Segundo ele, a UE se mostrou como um sócio "pragmático e responsável" no conflito. Ainda criticou veladamente os Estados Unidos, ao afirmar que outras forças do mundo estão "relutantes ou incapazes de fazer o mesmo". O confronto entre Rússia e Geórgia começou quando tropas georgianas atacaram a Ossétia do Sul. Moscou interveio, expulsando essas tropas e tomando posições no território do país vizinho. Os países ocidentais condenaram a ocupação russa e o fato de o governo russo reconhecer as províncias da Ossétia do Sul e da Abkházia como independentes. Sob um acordo mediado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy, também presidente de turno da União Européia, Moscou tem até sexta-feira para retornar a posições ocupadas antes da breve guerra em agosto com Tbilisi, dentro da área das províncias. Medvedev pediu também que os 200 observadores da UE enviados para a área "evitem qualquer provocação do regime de Tbilisi". O presidente francês disse que a atitude russa abria caminho para um "ambicioso" acordo de parceria entre a Rússia e a União Européia. Segundo Sarkozy, esse eventual acordo seria ambicioso "tanto na abrangência quanto na intensidade da cooperação".

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