Rússia propõe tratado contra corrida armamentista no espaço

A Rússia propôs na terça-feira umtratado que proíba o desenvolvimento de armas no espaçosideral, já que isso poderia levar a uma nova corridaarmamentista e a uma repetição da Guerra Fria. O esboço do tratado, apresentado por Rússia e China a umfórum promovido pela Organização das Nações Unidas (ONU),proíbe o envio de armas para o espaço, além de ameaças e do usoda força contra satélites e outros objetos em órbita, segundo ochanceler russo, Sergei Lavrov. "A instalação de armas no espaço por parte de um Estadoresultará inevitavelmente numa reação em cadeia", disse Lavrovem discurso aos 65 membros da Conferência sobre o Desarmamento,que funciona em Genebra. "Isso, por sua vez, está fadado agerar uma nova espiral na corrida armamentista tanto no espaçoquanto na Terra." Aparentemente, tratava-se de um recado aos Estados Unidos.As relações entre Moscou e Washington se deterioraram nosúltimos anos, em parte devido aos planos dos EUA para retomar oseu projeto "Guerra nas Estrelas", da década de 1980, com umanova geração de escudos antimísseis. O Kremlin critica repetidamente também os planos dos EUApara construir uma nova rede de defesa contra mísseis em paísesex-comunistas da Europa. Lavrov disse que a corrida por armas nucleares levou àGuerra Fria (confrontação entre países capitalistas ecomunistas após a Segunda Guerra Mundial). Isso, lembrou ele,"durou mais de quatro décadas e resultou num gigantescodesperdício de material e de outros recursos à custa deencontrar soluções para o problema do desenvolvimento". "Vale apena repetir a história?", questionou. Um tratado de 1967 proíbe a instalação de armas dedestruição em massa (inclusive nucleares) no espaço, mas osplanos norte-americanos criam preocupação com uma corridaarmamentista convencional no cosmo. A Conferência sobre o Desarmamento tenta sem sucesso há dezanos alcançar um consenso sobre a necessidade de iniciarnegociações a respeito de qualquer dos seus temas. Autoridades dos EUA em Genebra não quiseram comentar asdeclarações de Lavrov.

SAM CAGE, REUTERS

12 de fevereiro de 2008 | 10h02

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