Rússia questiona projeto da ONU para integralidade da Geórgia

Ações de Saakashvili criaram nova realidade que deve ser levada em conta em plano de paz, diz embaixador

Efe,

14 de agosto de 2008 | 19h35

O embaixador da Rússia na ONU, Vitaly Churkin, pôs em dúvida nesta quinta-feira, 14, que o projeto de resolução no qual o Conselho de Segurança das Nações Unidas trabalha para colocar fim ao conflito na Geórgia garanta a integridade territorial do país. "As ações do presidente (georgiano, Mikhail) Saakashvili criaram uma nova realidade que gera novos problemas em matéria de integridade territorial e que devem ser levados em conta" na elaboração da resolução para implementar o plano de paz apresentado pela França, disse Churkin em entrevista coletiva.   Veja também: Antes dos bombardeios, Geórgia sofreu ataque virtual, diz NYT Rússia promete apoiar independência de separatistas na Geórgia EUA exigem que Rússia respeite cessar-fogo Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Imagens feitas direto de Gori, na Geórgia  Godoy e Cristiano Dias comentam conflito  Entenda o conflito separatista na Geórgia Cronologia dos conflitos na Geórgia   Ele explicou que o respeito à integridade territorial da Geórgia é um dos pontos negociados para a elaboração do projeto de resolução com que se deverá implementar o plano de paz apresentado pela França, em nome da União Européia (UE), e aceito por Moscou e Tbilisi.   "O assunto da integridade territorial deve ser visto de vários ângulos, e um é o fato de que existe um conflito que todo o mundo reconhece", destacou Churkin. Nessa avaliação, prosseguiu, "devem ser considerados elementos como o controle de fato das regiões separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia, assim como a vontade das povoações dos dois territórios reivindicados por Tbilisi."   O embaixador russo assegurou que o projeto de resolução "se ajustará palavra por palavra" aos seis pontos do plano de paz apresentado pelo presidente francês, Nicolas Sarkozy. Esse plano estipula, além do fim das hostilidades e a retirada das forças de ambos os lados, a abertura de um diálogo internacional sobre o futuro das duas regiões.   Em nenhum dos seis pontos ou no curto preâmbulo do plano é mencionada a integridade territorial e a soberania da Geórgia. Nesse sentido, Churkin assinalou que o status definitivo das duas regiões separatistas "deve ser parte desse diálogo internacional."   Ele acrescentou que os membros do Conselho de Segurança seguem negociando o conteúdo da resolução, com vista a que o texto possa ser adotado "assim que for possível". Pelo contrário, o embaixador da Geórgia perante a ONU, Irakli Alasania, insistiu em que a integridade do país deve fazer parte de qualquer acordo que ponha fim à guerra que começou há uma semana na Ossétia do Sul.   "Nós vemos nos princípios estipulados com o apoio do presidente Sarkozy a base sobre a qual realizar negociações sob o guarda-chuva da ONU, dentro do completo respeito à integridade territorial e à soberania da Geórgia", afirmou Alasania em outra entrevista coletiva.   Ele ressaltou que a atual mediação internacional deve concluir na retirada completa das tropas russas de território georgiano e na desmilitarização das regiões separatistas. "Até que não termine a ocupação, não pode haver diálogo algum", afirmou Alasania, que destacou que Tbilisi está disposto a conceder "autonomia e autogoverno" às duas regiões, mas "só dentro da soberania e a integridade da Geórgia."   Alasania também descartou que o projeto de resolução seja submetido à votação antes que a secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, conclua sua atual visita à França e à Geórgia, onde na sexta-feira se reunirá com Saakashvili.  

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