Rússia ratifica apoio militar aos separatistas da Geórgia

Líderes da Ossétia do Sul e da Abkházia assinam acordo que garante a patrulha conjunta com tropas russas

Efe,

17 de setembro de 2008 | 09h57

A Rússia assinou nesta quarta-feira, 17, acordos de amizade, cooperação e assistência mútua com as regiões separatistas georgianas da Abkházia e da Ossétia do Sul. Segundo anunciou o presidente russo, Dmitri Medvedev, Moscou dará o apoio militar necessário e não vai tolerar nenhuma "nova aventura militar" contra as duas províncias separatistas da Geórgia com aspirações pró-russas. O chefe do Kremlin ressaltou que, para a Rússia, é uma "uma tarefa crucial a garantia da segurança da Abkházia e da Ossétia do Sul" e ressaltou que as três partes signatárias se ajudarão, "inclusive militarmente". "Não permitiremos novas aventuras militares. Ninguém deve ter essas ilusões. A repetição da agressão por parte da Geórgia acarretaria uma catástrofe de magnitude regional", disse. Por conta dos acordos, as tropas russas farão a patrulha com as forças separatistas nas fronteiras das duas regiões com a Geórgia. "Nos daremos mutuamente o apoio necessário, incluindo o militar", afirmou Medvedev, que qualificou de "históricos" os acordos que assinou em cerimônia solene no Kremlin com os líderes da Abkházia, Serguei Bagapsh, e da Ossétia do Sul, Eduard Kokoiti. Os líderes separatistas agradeceram ao presidente russo seu apoio e qualificaram a Rússia como principal "fiador da segurança" na zona. Às vésperas do acordo, o ministro de Exteriores russo, Serguei Lavrov, disse que o pacto reforçaria o "status legal" das tropas russas que serão em breve posicionadas nas duas regiões (3.800 soldados regulares em cada uma delas). No futuro, a Rússia deve assinar também com os líderes das duas regiões acordos sobre cooperação fronteiriça, financeira e de livre-comércio. Em 26 de agosto, a Rússia reconheceu a independência das duas regiões, com as quais estabeleceu formalmente relações diplomáticas no último dia 9.  O Ministério de Relações Exteriores da Rússia disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) encoraja a Geórgia a "novas aventuras", ao aumentar o nível de suas relações com Tbilisi. "Consideramos que, nas atuais condições, a realização de reuniões entre a Otan e Tbilisi é inoportuna, e não contribui com os interesses da estabilidade na região", afirma a Chancelaria russa em declaração divulgada pelas agências locais. O comunicado da diplomacia russa é divulgado no dia seguinte à visita do secretário-geral da Otan, Jaap de Hoop Scheffer, à capital georgiana. Durante a visita, foi criada a Comissão Geórgia-Otan, que "aprofundará e reforçará a cooperação entre as duas partes", disse Scheffer. "Para nós, os passos para aumentar o nível das relações entre a Otan e a Geórgia são um estímulo a novas aventuras", disse o Ministério de Exteriores. Segundo a diplomacia russa, Moscou tinha recebido anteriormente a garantia de que a concessão à Geórgia do status de "diálogo intenso" permitiria "um trabalho mais eficaz com (o presidente) Mikhail Saakashvili e serviria para prevenir ações irresponsáveis de sua parte". "Todo mundo sabe o que aconteceu depois disto", afirmou a chancelaria russa, em alusão ao ataque lançado pelas tropas georgianas no dia 8 de agosto contra a região separatista da Ossétia do Sul, o que levou a Rússia a entrar no conflito.

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