Rússia rechaça trégua e tropas avançam sobre a Geórgia

Autoridade diz que Moscou tomou cidade de Gori, a 60 km da capital; georgeanos recuam para defender Tbilisi

Agências internacionais,

11 de agosto de 2008 | 14h10

O Conselho Nacional de Segurança da Geórgia afirmou nesta segunda-feira, 11, que militares russos capturaram a cidade de Gori, a 60 quilômetros da capital Tbilisi, informação negada pelo Ministério da Defesa da Rússia. A operação, parte da ofensiva de larga escala em território georgiano, foi promovida no mesmo dia em que Moscou rejeitou a última proposta de cessar-fogo para pôr fim ao conflito envolvendo os dois países, afirmando que sequer consideraria um documento pedindo uma trégua no momento atual.   Veja também: Rússia toma base e abre 2ª frente de batalha Rússia rejeita trégua oferecida pela Geórgia Rússia critica intromissão dos EUA no conflito Entenda o conflito separatista na Geórgia Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    A Geórgia está transferindo tropas da zona de conflito, perto da Ossétia do Sul, em direção à capital, Tbilisi. Segundo o Ministério do Interior, as tropas georgianas abandonaram Gori. A Rússia nega que suas tropas tenham entrado na cidade, onde nasceu o ditador soviético Josef Stalin, e bombardeada ao longo do dia. Mais cedo, Moscou tomou a base militar estabelecida na cidade de Senaki, entrando pela Abkházia, outra disputada província georgiana pró-Moscou no oeste do país.   "Nesse momento, as forças invasores da Federação Russa estão em território georgiano fora das zonas de conflito da Abkházia e da Ossétia do Sul", diz o comunicado da Geórgia. "O Exército georgiano está recuando para defender a capital. O governo busca urgente intervenção internacional para impedir a queda da Geórgia e mais perda de vidas."   Gori fica em um importante entroncamento rodoviário e a única estrada importante da Geórgia, que liga o oeste ao leste do país, passa perto da cidade. Ao tomar a cidade, a 100 quilômetros da capital Tbilisi, a Rússia tem o potencial de cortar em dois o país. O chefe do Conselho Nacional de Segurança, Alexander Lomaia, disse que ainda não está claro se agora as tropas russas avançarão até Tbilisi. A tomada de Gori, ainda não confirmada por Moscou, significaria que o Exército russo entrou em profundidade no território da Geórgia, na parte central do país.   Saakashvili assinou nesta segunda o plano apresentado pela União Européia para a trégua no conflito, ao lado do ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner e da Finlândia, Alexander Stubb. A Rússia rechaçou a proposta, afirmando que segundo informações de forças de paz na Ossétia do Sul, a Geórgia continua a usar força militar e, com isso, não pode considerar esse documento, disse um porta-voz do Kremlin a jornalistas   O embaixador da Rússia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), Dmitry Rogozin, pediu que a aliança convoque um conselho extraordinário Rússia-Otan antes de tomar qualquer decisão sobre a situação na Geórgia. "Insistimos em que o encontro seja realizado amanhã", quando o ministro das Relação Exteriores da Geórgia, Eka Tkeshelashvili, se reunirá com o Conselho do Atlântico Norte em Bruxelas, disse Rogozin aos repórteres. Ele pediu formalmente que a reunião entre a Rússia e a Otan seja realizada no início da terça-feira com o vice-secretário-geral da Otan, Claudio Bisogniero.   O presidente Mikhail Saakashvili declarou que a Rússia quer destruir seu país e admitiu que as tropas inimigas cortaram a comunicação entre o leste e o oeste da Geórgia. Segundo o presidente, o país está bloqueado no mar e no ar, e "parte do território já foi invadido".   Saakashvili assinalou que a "principal missão do inimigo é que a Geórgia deixe de existir como um país livre e próspero, que deixe de existir no geral". Ele ainda lamentou que o suporte da comunidade internacional se limite no "apoio moral" e nas "palavras". "Queremos que a bárbara agressão seja detida".   A Rússia entrou na Ossétia do Sul na sexta-feira, um dia depois de a Geórgia ter desencadeando uma ampla operação militar para controlar a província rebelde pró-Moscou. Grande parte da população ossetiana tem cidadania russa.

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