Rússia reconhece independência de regiões da Geórgia

A Rússia reconheceu naterça-feira como Estados independentes duas regiõesseparatistas da Geórgia, em uma decisão que fez aumentar atensão na região do Cáucaso e que colocou o governo russo emrota de colisão com o Ocidente. O presidente da Rússia, Dmitry Medvedev, afirmou que odesejo do governo georgiano de reconquistar a Abkházia e aOssétia do Sul por meio do uso da força havia acabado com todasas esperanças de uma coexistência pacífica. "Saakashvili (presidente georgiano, Mikheil Saakashvili)optou pelo genocídio para resolver suas questões políticas",afirmou Medvedev em um pronunciamento transmitido desde suaresidência de verão, na região praiana de Sochi. "Os moradores da Ossétia do Sul e da Abkházia já semanifestaram mais de uma vez em referendos apoiando aindependência de suas Repúblicas. Segundo concluímos depois doque ocorreu, eles têm o direito de decidirem sozinhos arespeito de seu destino." A manobra de Medvedev surge no momento em que tanques esoldados russos ainda ocupam parte da Geórgia após a guerratravada em torno da Ossétia do Sul no começo deste mês -- aprimeira vez em que a Rússia enviou tropas para um outro paísdesde o fim da União Soviética, em 1991. Os EUA, a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan)e potências européias criticaram prontamente a decisão dogoverno russo. A secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice,descreveu-a como "lamentável". Já a chanceler da Alemanha,Angela Merkel, considerou-a "totalmente inaceitável". AGrã-Bretanha "rejeitou categoricamente" a decisão ao passo quea França manifestou desalento. O ministro sueco das Relações Exteriores, Carl Bildt, disseque o governo russo havia "escolhido uma política deconfrontação, não apenas com o restante da Europa, mas tambémcom a comunidade internacional como um todo". No entanto, as potências ocidentais não possuem muitosinstrumentos para punir a Rússia. A Organização das Nações Unidas (ONU) não conseguiriaadotar sanções contra o país porque este, na qualidade demembro permanente do Conselho de Segurança, possui poder deveto dentro do órgão. Além disso, as potências ocidentais temem realizar qualquermanobra que faça a Rússia cancelar seu apoio aos esforços paraconter o programa nuclear do Irã ou sua anuência à movimentaçãode forças da Otan no Afeganistão. Uma eventual retaliação poderia envolver alguma grandeentidade internacional: expulsar a Rússia do Grupo dos Oito(G8, que reúne grandes países industrializadas) ou vetar oacesso dela à Organização Mundial do Comércio (OMC). Em uma entrevista concedida ao canal de TV Russia Today,controlado pelo governo russo, Medvedev disse não ter medo deuma nova Guerra Fria. "Nada nos assusta, mesmo a possibilidade de instalar-se umanova Guerra Fria. Mas nós não queremos isso", afirmou opresidente. "Nesta situação, tudo dependerá da postura adotadapor nossos parceiros." O governo russo mandou que o Ministério das RelaçõesExteriores do país sele laços diplomáticos com as duas regiõesgeorgianas e que o Ministério da Defesa garanta a paz naquelasáreas.

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