Rússia rejeita cessar-fogo oferecido pela Geórgia

Moscou diz que não considera trégua porque georgianos continuam a usar da força militar contra separatistas

Agências internacionais,

11 de agosto de 2008 | 10h33

A Rússia rejeitou a última proposta de cessar-fogo feita pela Geórgia para pôr fim ao conflito envolvendo os dois países nesta segunda-feira, 11, afirmando que sequer consideraria um documento pedindo uma trégua no momento atual. A declaração vem depois de o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili assinar um documento em Tbilisi, capital da Geórgia, oferecendo um cessar-fogo. O governo russo pediu ainda uma reunião extraordinária do Conselho da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) - Rússia na terça-feira.   Veja também: Geórgia assina a proposta de cessar-fogo Rússia critica intromissão dos EUA no conflito Entenda o conflito separatista na Geórgia Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    Saakashvili assinou nesta segunda o plano apresentado pela União Européia. O documento foi assinado por Saakashvili ao lado do ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner e da Finlândia, Alexander Stubb, que estão na Geórgia para tentar negociar o fim do conflito. Os detalhes da proposta ainda são desconhecidos, mas parte do conteúdo do plano envolve o cessar-fogo imediato, a retirada controlada das tropas dos lados e eventuais discussões políticas.   "Segundo informações de forças de paz na Ossétia do Sul, a Geórgia continua a usar força militar e, com isso, não podemos considerar esse documento", disse um porta-voz do Kremlin a jornalistas. Nesta segunda-feira, Saakashvili acusou Moscou de tentar derrubar o seu governo enquanto tropas russas ocuparam as duas províncias separatistas da ex-república soviética.   Os ministros das Relações Exteriores do grupo das sete países mais industrializados do mundo apelaram à Rússia para que aceite o cessar-fogo imediato com a Geórgia e respeite a integridade territorial do país, informou o Departamento de Estado americano. Um porta-voz do Departamento de Estado disse que, em uma teleconferência, os ministros manifestaram apoio aos esforços de mediação liderados por França e Finlândia.   O representante permanente de Moscou perante a Otan, Dmitri Rogózin, assegurou que o grupo, que na terça recebe a chanceler da Geórgia, Eka Tkeshelashvili, deve contar também com toda a informação por parte da Rússia antes de tomar qualquer decisão. Rogózin assegurou que, sendo a Rússia um importante aliado dos países da Otan, "não entenderia" que estes dessem nenhum passo sem conhecer a versão dos fatos de Moscou.   Conflito     O presidente georgiano disse a jornalistas que a Rússia "quer substituir o governo em Tbilisi" e controlar os dutos de gás e petróleo no sul do Cáucaso. Moscou, porém, garante que suas tropas se limitam aos territórios da Ossétia do Sul e da Abkházia, outra região separatista da Geórgia. O presidente russo, Dmitry Medvedev, disse que a operação para a restauração da calma na Ossétia do Sul já está terminando, e os militares disseram que pretendem permanecer no território ossetiano.   À medida que os combates continuavam na crise do Cáucaso, que alarmou governos ocidentais e tumultuou o mercado de petróleo, o presidente dos EUA, George W. Bush, acusou a Rússia de uma "reação desproporcional" e a União Européia exigiu que Moscou cessasse suas atividades militares na Geórgia. O presidente francês, Nicolas Sarkozy, se prepara para voar para a Geórgia e para a Rússia na terça-feira em uma missão de paz, após uma rodada de conversações realizadas por seu ministro das Relações Exteriores.   EUA e Reino Unido mantêm seu apoio à Geórgia, que pleiteia adesão à Otan e à União Européia. O chanceler britânico, David Miliband, criticou Moscou por bombardear alvos "bem além" da Ossétia do Sul, e disse haver preocupação disseminada com a escalada da violência.   Apesar dos apelos pela paz, os combates prosseguiram na segunda-feira. Ainda de madrugada, a Geórgia violou o cessar-fogo que declarara na véspera e bombardeou Tshkhinvali. Por outro lado, o governo georgiano disse que seu território foi alvo de bombardeios russos durante a noite.   Na segunda-feira, a Rússia disse ter perdido 4 aviões e 18 soldados no conflito. Há também 14 desaparecidos em ação e 52 feridos. O general Anatoly Nogovitsyn rejeitou as acusações georgianas de que até 50 caças russos teriam bombardeado a Geórgia durante a noite.   Rússia como vítima   O primeiro-ministro da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta segunda-feira que o Ocidente confundiu quem é agressor e quem é vítima no conflito com a Geórgia na região separatista da Ossétia do Sul. Falando à televisão estatal, Putin citou especificamente os Estados Unidos, dizendo que Washington está ajudando a Geórgia a retirar suas tropas do Iraque.   Em discurso emocionado a autoridades de alto escalão do governo, Putin disse que alguns políticos americanos ainda mantêm a mentalidade da Guerra Fria. "É uma pena que alguns dos nossos parceiros não estejam nos ajudando, mas sim nos atrapalhando", disse Putin. "Quero dizer... a transferência pelos Estados Unidos de um contingente georgiano no Iraque com aviões de transporte militares praticamente para a zona de conflito."   "A escala desse cinismo é espantosa. A tentativa de transformar o branco em preto, o preto em branco e de retratar as vítimas de agressão como agressores e de colocar a responsabilidade das conseqüências das agressões nas vítimas." Putin, ex-presidente russo, também disse que o país vai dar uma conclusão lógica para sua missão de paz na Ossétia do Sul. "É claro que a Rússia vai levar sua missão de paz na Ossétia do Sul a uma conclusão lógica. Vamos nos esforçar para trabalhar as relações com todos os participantes deste conflito e isso inclui, é claro, o lado georgiano."

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