Rússia restringe vistos para funcionários do Conselho Britânico

A Rússia anunciou na segunda-feira quenão mais concederá vistos de entrada para os funcionários deescritórios de fomento cultural do governo britânico quetrabalham em duas regiões do país. A medida aprofunda ainda mais o conflito entre os doispaíses, cujas relações bilaterais foram abaladas recentemente. A Rússia mandou que o Conselho Britânico suspendesse suasatividades em dois escritórios regionais a partir de 1o dejaneiro, uma manobra causada devido ao conflito diplomáticosurgido com o assassinato de Alexander Litvinenko, um ex-espiãorusso que passou a fazer críticas ao governo de seu país. A Grã-Bretanha considerou ilegal a manobra russa e, nasegunda-feira, os dois escritórios, localizados em SãoPetersburgo e em Yekaterinburg, retomaram suas atividadesdepois do feriado de Ano Novo, disseram correspondentes daReuters nas duas cidades. O Ministério das Relações Exteriores da Rússia convocou oembaixador britânico no país, Tony Brenton, na segunda-feira epouco depois divulgou um comunicado criticando o governobritânico por não obedecer à ordem e manter em funcionamentosuas agências. "A Rússia considera tais medidas um ato de provocaçãointernacional cujo objetivo é aumentar a tensão nas relaçõesrusso-britânicas", disse a chancelaria em um comunicadodivulgado em seu site, www.mid.ru. "A Rússia não emitirá vistos para novos funcionáriosenviados para trabalhar nos escritórios consulares de SãoPetersburgo e de Yekaterinburg em nome do Conselho Britânico",afirmou o comunicado. O embaixador britânico, ao sair do Ministério das RelaçõesExteriores depois de conversar com autoridades russas, disseque o Conselho Britânico continuaria realizando suas operaçõesnas duas regiões. O governo russo diz que a medida adotada contra o ConselhoBritânico tem relação com o embate deflagrado pelo assassinato,em 2006, de Litvinenko, envenenado com um elemento radiativo emLondres. O episódio fez com que a relação entre os dois paísesenfrentasse seu pior momento desde o fim da Guerra Fria. A Grã-Bretanha apontou o ex-integrante da KGB AndreiLugovoy como o principal suspeito pelo assassinato deLitvinenko. Em julho, o país europeu expulsou quatro diplomatas russosdevido à recusa da Rússia em extraditar Lugovoy. Em retaliação,o governo russo expulsou quatro diplomatas britânicos.

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