Rússia suspende plano de instalar mísseis em Kaliningrado

Agência diz que Moscou detém resposta ao escudo antimísseis dos EUA pela chegada de Obama na presidência

Agências internacionais,

28 de janeiro de 2009 | 07h56

A Rússia anunciou nesta quarta-feira, 28, que suspendeu o posicionamento de mísseis táticos no enclave de Kaliningrado, congelando seu plano para retaliar a proposta americana de instalar um escudo antimísseis no Leste Europeu. A medida pode demonstrar que Moscou está estendeu as mãos para o novo presidente americano, Barack Obama, depois das conturbadas relações com George W. Bush.   Segundo Estado-Maior Geral das Forças Armadas, "a realização desse projeto foi suspensa já que o novo governo americano não reforça os planos de colocar elementos de seu escudo antimísseis na Polônia e na República Tcheca", assinalou um porta-voz citado pela agência de notícias local Interfax. Segundo ele, a "Rússia não tem necessidade de colocar foguetes táticos Iskander se os Estados Unidos não puserem elementos de seu escudo antimísseis na Europa Oriental".   Em novembro do ano passado, o presidente russo, Dmitri Medvedev, advertiu que a Rússia colocaria foguetes Iskander em Kaliningrado em resposta à instalação do escudo antimísseis dos EUA no leste europeu. "Para poder neutralizar, em caso de necessidade, o sistema de defesa contra mísseis, na região de Kaliningrado será desdobrado o sistema de foguetes Iskander", declarou Medvedev em sua primeira mensagem anual sobre o estado da nação perante o Parlamento. Os sistemas móveis Iskander são dotados de foguetes táticos com um alcance de entre 50 e 300 quilômetros e que podem levar vários tipos de cargas de até 480 quilos.   Obama conversou com Medvedev por telefone na segunda-feira, seu primeiro contato desde a posse, e ambos concordaram em manter o melhor aproveitamento do potencial das relações bilaterais, segundo afirmou a Casa Branca. A administração Bush provocou atritos com o Kremlin ao anunciar seu projeto para instalar um interceptor de mísseis na Polônia e um radar na República Tcheca. O sistema, segundo defendia o antecessor de Obama, era necessário para proteger os EUA de eventuais ataques com mísseis de "Estados hostis", como Irã e Coreia do Norte.   Autoridades americanas afirmam que Obama deve rever o projeto, de forma a avaliar os custos e o progresso das pesquisas, mas não forneceu qualquer indício de que cancelará o programa. O plano, no entanto, desagrada a Rússia, que vê como uma ameaça a expansão militar norte-americana perto de suas fronteiras.

Tudo o que sabemos sobre:
escudo antimísseisEUARússia

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.