Rússia testa míssil capaz de ultrapassar escudo americano

Com alcance de 8 mil quilômetros, Bulava é testado com sucesso; arma pode levar seis ogivas e burlar radares

Agências internacionais,

18 de setembro de 2008 | 15h25

Um submarino russo realizou com sucesso nesta quinta-feira, 18, um teste de míssil balístico intercontinental de múltiplas ogivas, capaz de ultrapassar o escudo antimísseis americano, informou um funcionário do Ministério da Defesa, citado pelas agências russas Interfax e RIA Novosti. O Bulava, com alcance de 8 mil quilômetros, foi lançado pelo submarino nuclear Dmitri Donskói no Mar Branco e em vinte minutos alcançou seu destino, no polígono militar de Kura, na península russa de Kamchatka.   Veja também: Especial: Depois da Guerra Fria   O ministro da Defesa elogiou o sucesso do lançamento do míssil. Os últimos testes haviam fracassado, colocando em dúvida a habilidade russa em construir a arma, considerada pelos oficiais componente chave para o arsenal nuclear de Moscou.   Segundo relatórios russos, o Bulava foi projetado para carregar até seis ogivas nucleares individuais. Fabricado pelo Instituto de Tecnologia Térmica de Moscou (ITTM), ele deve equipar os novos submarinos da série Borei.   Mísseis como o Bulava, de 30 toneladas, são considerados quase impossíveis de serem abatidos pelos sistemas de defesa aérea existentes devido sua alta velocidade e capacidade de modificar a trajetória para burlar radares.   O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, anunciou nesta semana o aumento de 27% dos gastos em segurança e defesa para 2009, que passará a 70 bilhões de euros. O presidente Dmitri Medvedev assegurou na semana passada que o rearmamento passou a ser uma das "prioridades" do país depois da agressão da Geórgia contra a região separatista de Ossétia do Sul.   Moscou anunciou em 2007 um programa de rearmamento que incluía mísseis balísticos, submarinos e aviões, em uma tentativa de manter a paridade com os Estados Unidos, cujas relações recentemente se deterioraram devido à incursão russa na Geórgia, duramente criticada por Washington.

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