Rússia toma base militar e abre 2ª frente de batalha na Geórgia

Tropas ocupam quartel na cidade de Senaki e bases policiais nos arredores de região separatista da Abkházia

Agências internacionais,

11 de agosto de 2008 | 12h22

Veículos blindados russos entraram em uma base militar georgiana no oeste do país, afirmou nesta segunda-feira, 11, Nana Intskerveli, porta-voz do Ministério da Defesa da Geórgia. De acordo com ela, forças russas tomaram a base militar estabelecida na cidade de Senaki, entrando pela Abkházia, outra disputada província georgiana pró-Moscou. A maioria das forças georgianas envolvidas no conflito concentra-se em outra frente de batalha, em torno da Ossétia do Sul.   Entenda o conflito separatista na Geórgia Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    Em Moscou, o Ministério da Defesa da Rússia confirmou que o Exército estava realizando operações nos arredores de Senaki para evitar o reagrupamento de tropas georgianas nessa região.    As tropas russas ainda ocuparam temporariamente instalações da polícia no oeste da cidade de Zugdidi, próximo de Abkházia, após oficiais não terem atendido ordens do Exército russo para se desarmarem, informou o Ministério do Interior da Geórgia. "Unidades do exército regular da Rússia ocuparam todos os prédios da polícia em Zugdidi, depois de um policial recusar desarmar-se", afirmou o porta-voz do Ministério, Shota Utiashvili, à agência France Press.   Numa entrevista coletiva concedida em Tbilisi, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, pediu a ajuda a comunidade internacional e qualificou o conflito como uma "invasão" russa. "O que estamos testemunhando é um assassinato a sangue frio", denunciou Saakashvili. Também segundo ele, um dos objetivos russos é perpetrar uma limpeza étnica.   "O objetivo da Rússia não é somente capturar e anexar parte do território georgiano, mas derrubar um governo democraticamente eleito", acusou o presidente da Geórgia. "Está claro que o que estamos vendo é a invasão, a ocupação e a aniquilação" da Geórgia, prosseguiu Saakashvili. Ainda de acordo com ele, a intervenção russa na Ossétia do Sul foi cuidadosamente planejada para coincidir com a abertura dos Jogos Olímpicos. Ele também insistiu que não foi a Geórgia quem começou a guerra.   A Rússia entrou na Ossétia do Sul na sexta-feira, um dia depois de a Geórgia ter desencadeando uma ampla operação militar para controlar a província rebelde pró-Moscou. Grande parte da população ossetiana tem cidadania russa.   Em Bruxelas, o embaixador russo na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) qualificou Saakashvili como um criminoso de guerra e disse que ele não é uma pessoa com a qual seja possível trabalhar. "Saakashvili não é mais um homem com o qual podemos trabalhar", disse o embaixador Dmitry Rogozin. "Ele deve ser punido por violar o direito internacional. Ele é responsável por diversos crimes de guerra", prosseguiu.   Susto   Durante sua visita à cidade de Gori, o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, teve que ser retirado do locar às pressas devido a um alerta de segurança. Segundo a BBC, Saakashvili estava acompanhando o Ministro do Exterior da França, Bernard Kouchner, que havia acabado de visitar as áreas destruídas na cidade.   O presidente falava com repórteres quando um de seus guarda-costas gritou "Cobertura, cobertura!".Temendo um possível ataque aéreo, o presidente foi cercado por guarda-costas armados, que o tiraram do local e o cobriram com vários coletes a prova de balas. Segundo testemunhas, nenhum avião foi visto ou ouvido. Bernard Kouchner havia deixado o local minutos antes do incidente.   O porta-voz do Ministério do Interior da Geórgia, Shota Utiashvili, afirmou que um avião russo foi abatido na cidade. "A forças antiaéreas abateram um dos dois aviões", disse Utiashvili, que ressaltou que "já é o 19º avião russo derrubado". O Estado-Maior Geral da Forças Armadas da Rússia admitiu nesta segunda que perdeu quatro aviões, três aeronaves de assalto Su-25 e um Tu-22, que, segundo Moscou, realizava uma missão de observação.   Ameaças russas   O embaixador russo na Letônia advertiu que os estados bálticos e a Polônia podem pagar por suas críticas ao Kremlin, por causa do conflito com a Geórgia, informou a agência de notícias do báltico BNS. "Não se deve ser precipitado em questões sérias como essa, já que enganos sérios podem ter de ser pagos por um longo período", afirmou o embaixador russo Alexander Veshnyakov. Contactado, o porta-voz da embaixada em Riga, capital da Letônia, confirmou os comentários, mas não deu mais detalhes.   As considerações de Veshnyakov seguem-se a um comunicado conjunto divulgado sábado pelo presidente da Letônia, Valdis Zatlers, e da Estônia, Lituânia e Polônia, pedindo à União Européia e à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) que se oponham à política "imperialista" russa na Geórgia. Os três estados bálticos e a Polônia - todos membros da União Soviética durante o regime comunista e atualmente membros da União Européia e da Otan - são aliados da Geórgia.

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