'Rússia vai apontar mísseis para quem ameaçar sua segurança'

Vladimir Putin ameaça países que podem receber sistema de defesa dos EUA e bases da Otan no Leste Europeu

Agências internacionais,

14 de fevereiro de 2008 | 09h21

O presidente russo, Vladimir Putin, afirmou nesta quinta-feira, 14,  que Moscou apontará seus mísseis para todo país europeu que receba em seu território elementos do sistema antimísseis americano, que representa uma ameaça para a segurança da Rússia. O presidente disse também que o país não pretende redirecionar seus mísseis contra qualquer Estado "sem necessidade extrema" e que Moscou espera não se ver diante de uma situação de conflito com o Ocidente.   Putin se oferece para ocupar cargo de premiê após eleições Putin afirma que apoio ao Kosovo é 'imoral e ilegal'Brasil diz que não reconhecerá logo a independência do Kosovo   "Nosso Estado-Maior militar considera que este sistema ameaça nossa segurança nacional. Caso apareça (nas proximidades das fronteiras russas), nos veremos obrigados a adotar as medidas adequadas e apontar nossos mísseis para as instalações que nos ameaçam", disse Putin em entrevista coletiva no Kremlin.   O líder russo afirmou que suas palavras se referem tanto à República Tcheca e à Polônia, que podem receber elementos do escudo antimísseis dos Estados Unidos, como à Ucrânia, cujo governo pede a entrada do país na Otan. "Não planejamos conflitos (com o Ocidente) e esperamos que isso não aconteça em um futuro próximo."   No começo da semana, Putin havia declarado que, teoricamente, a Rússia poderia voltar seus "mísseis ofensivos" contra a Ucrânia se o país aderisse à Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e depois servisse de base para alguma força estrangeira.   O Kremlin afirma que a proposta americana de instalar dez mísseis interceptores na Polônia e um radar na República Tcheca ameaçam a segurança da Rússia. O governo americano afirma que as instalações são necessárias para a defesa de um possível ataque iraniano. Os Estados Unidos querem construir um sistema que vai permitir a interceptação de mísseis balísticos. Este sistema envolve radares estacionários no Alasca e na Califórnia, nos Estados Unidos e no Reino Unido. Outro radar está planejado para a Groenlândia.   Mísseis antimísseis, ou interceptadores, estão sendo colocados no Alasca (40 deles) e Califórnia (quatro) e o plano é colocar dez deles na Polônia com um radar associado na República Checa. O sistema também prevê a instalação, em navios, de 130 mísseis interceptadores. Os interceptadores funcionam acertando fisicamente o míssil balístico.   Segundo a BBC, os russos alegam que os planos atuais podem parecer modestos e pouco ameaçadores - mas temem que eles pudessem ser o início de um projeto mais ambicioso. Eles afirmam que o plano para desenvolver o sistema no Leste Europeu ameaça seus próprios mísseis e coloca em cheque a doutrina de distensão que vem marcando as relações entre EUA e Rússia desde o fim da União Soviética e da chamada Guerra Fria.

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