Rússia vai às urnas em cenário político dominado por Putin

País vai eleger deputados; pesquisas indicam que partido do atual presidente poderá obter até 80% das vagas

AE-AP,

01 de dezembro de 2007 | 17h15

Cerca de 107 milhões de russos vão às urnas neste domingo, 1º, para eleger a Duma (Câmara de Deputados), ao fim de uma campanha em que os opositores do presidente Vladimir Putin praticamente não apareceram. Veja também:  Entenda as eleições parlamentares na Rússia  Liberais russos protestam contra Putin antes das eleiçõesRussos denunciam pressão de autoridades para votar A única dúvida dos observadores políticos sobre esta eleição é se o partido Rússia Unida, de Putin, terá maioria simples ou absoluta na nova Duma; pesquisas recentes indicam que o partido poderá eleger até 80% dos 450 deputados. Esta é a primeira eleição com sistema proporcional "puro", no qual todas as cadeiras na Duma serão destinadas a cada partido em proporção ao número de votos obtidos. O Sistema anterior era o distrital misto, no qual metade dos deputados representava distritos e a outra metade era correspondente à proporção de votos de cada partido. A nova lei eleitoral também estipula que um partido precisa obter pelo menos 7% dos votos em nível nacional para ter direito a representação na Duma (a lei anterior previa 5%). Nos últimos dias, os partidos de oposição apresentaram várias queixas de que as autoridades confiscaram material de campanha e que os proprietários de locais apropriados para comícios se recusaram a alugá-los às agremiações anti-Putin, supostamente por terem sido intimidados. No fim de semana passado, a polícia reprimiu com violência comícios e passeatas de partidos de oposição em Moscou e em São Petersburgo, as duas cidades mais importantes do país. As emissoras de televisão praticamente não mencionaram os partidos de oposição durante a campanha. Em contraste, os discursos de Putin durante os comícios do partido Rússia Unida foram televisionados e repetidos nos noticiários do horário nobre. Durante o principal noticiário da última quinta-feira, a maior rede de televisão da Rússia veiculou um anúncio pago do partido governista no qual Putin aparecia pedindo votos para o Rússia Unida. Críticas  Em artigo escrito recentemente para o Cato Institute, uma organização não-governamental conservadora dos EUA, o ex-assessor de Putin Andrei Illarionov diz que "isso não atende a nenhum dos critérios de uma eleição livre, justa e democrática. De fato, isso nem mesmo é uma eleição". Em Grozny, capital da turbulenta república da Chechênia, o eleitor Musa Isayev, de 40 anos, disse que "está claro que essa eleição só vai estabilizar os interesses de um único homem, que já dirige o país há muito tempo". Como a nova lei eleitoral não inclui uma exigência de participação mínima, as autoridades locais de toda a Rússia têm feito campanha para estimular o comparecimento às urnas; Putin teme que uma participação baixa possa minar sua tese de que a Rússia é uma democracia verdadeira. Os incentivos para o comparecimento variam de região para região, indo desde ingressos para instalações esportivas a telefones celulares grátis. Um governo regional prometeu construir um conjunto habitacional na aldeia que mostrar o comparecimento às urnas "mais maduro". Sem observadores A Organização para Segurança e Cooperação Na Europa (OSCE), considerada a instituição com maior credibilidade no acompanhamento de eleições, cancelou o envio de seus observadores para a eleição parlamentar russa. A entidade argumentou que a Rússia adiou a concessão de vistos por tanto tempo que inviabilizou o planejamento da missão dos observadores. Putin declarou que a retirada dos observadores da OSCE foi uma manobra elaborada pelos EUA para desacreditar seu governo. A lei proíbe o próprio Putin, que está no poder há quase oito anos, de disputar um terceiro mandato na próxima eleição presidencial, marcada para março de 2008. Ele disputa uma vaga na Duma e disse recentemente que um resultado positivo para seu partido deverá dar a ele mesmo a autoridade moral para assegurar que o Legislativo mantenha as políticas de seu governo.

Tudo o que sabemos sobre:
RússiaPutineleições

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.