Rússia vai monitorar violação de direitos humanos no Ocidente

Advogado que presidirá entidade reconhece abusos, mas afirma haver problemas semelhantes na Europa e EUA

CHRISTIAN LOWE, REUTERS

19 de outubro de 2007 | 11h54

A Rússia pretende virar a mesa contra seus críticos ocidentais que a acusam de violar os direitos humanos, montando uma organização para monitorar esse tipo de abuso na Europa e nos Estados Unidos, afirmou nesta sexta-feira, 19, o homem responsável pelo projeto. Anatoly Kucherena, um conhecido advogado escolhido como presidente do futuro conselho para os direitos humanos e para a sociedade civil, disse que a organização teria sede em Bruxelas ou em alguma cidade da Alemanha. "Nos últimos anos, houve várias críticas ligadas à violação dos direitos humanos na Rússia. Mas, acreditem, essas coisas acontecem em outros países também", afirmou Kucherena a jornalistas. "Imaginem se a Rússia, ou os ativistas russos dos direitos humanos, preparassem um relatório semelhante sobre, por exemplo, a situação dos direitos humanos na França. O que aconteceria?" Kucherena ganhou fama ao defender cidadãos comuns contra burocratas incompetentes ou corruptos. O advogado costuma aparecer nos canais de TV da Rússia controlados pelo governo --um sinal de que conta com a aprovação do Kremlin. Ele não revelou quem financiaria a fundação. Governos e grupos de defesa dos direitos humanos do Ocidente afirmam que a Rússia, durante o governo do presidente Vladimir Putin, limitou a democracia, sufocou as liberdades de expressão e usou métodos violentos para acabar com as insurgências islâmicas surgidas no norte do Cáucaso. Segundo Putin, as críticas são infundadas. O presidente diz que os governos ocidentais tentam interferir nos assuntos internos da Rússia. Putin acusou o Ocidente de violar os direitos humanos, chamando atenção para a prisão militar criada pelos EUA na baía de Guantánamo e para a morte de cidadãos de origem russa em enfrentamentos com a polícia ocorridos neste ano, na Estônia. Kucherena afirmou ter decidido criar o centro de monitoramento dos direitos humanos depois do recebimento de cartas de cidadãos europeus e norte-americanos de origem russa reclamando de violações de seus direitos. O centro pretende facilitar "a troca de opiniões" dentro da comunidade dos direitos humanos, mas não deseja se envolver em um conflito político com o Ocidente, afirmou. "Claro que há problemas referentes aos direitos humanos na Rússia", afirmou Kucherena. "Mas, pessoalmente, como Anatoly Kucherena, não me sinto satisfeito quando as informações contidas nesses relatórios (de organizações ocidentais sobre a violação de direitos na Rússia) possuem algum tipo de subtexto ideológico." "Para ser sincero, não é agradável ver nosso país na 145ª posição de algum índice (dos direitos humanos) sem que a metodologia usada tenha sido esclarecida. Isso, com certeza, me deixa incomodado", disse.

Tudo o que sabemos sobre:
Rússiadireitos humanos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.