Rússia vê pressão dos EUA na decisão francesa sobre navios militares

François Hollande abandonou um contrato de 1,2 bilhão de euros para entregar porta-helicópteros ao russos

REUTERS

04 de setembro de 2014 | 08h04

Autoridades russas questionaram nesta quinta-feira a confiabilidade da França como parceira comercial depois que o governo francês suspendeu a entrega de um navio militar devido à crise na Ucrânia, e indicaram que os franceses podem ter cedido à pressão dos Estados Unidos.

"Onde estão os tempos em que Paris não sucumbia à pressão dos Estados Unidos, como, por exemplo, sobre o Iraque?", escreveu no Facebook a vice-porta-voz do Ministério de Relações Exteriores Maria Zakharova.

Ela também descreveu a decisão da França como uma vergonha. "A reputação da França como uma parceira confiável que cumpre suas obrigações contratuais foi jogada na caldeira das ambições políticas norte-americanas", escreveu Zakharova.

O presidente francês, François Hollande, resistiu durante meses à pressão de Washington e de outros aliados para abandonar um contrato de 1,2 bilhão de euros para entregar dois porta-helicópteros Mistral à Rússia.

Na véspera de uma cúpula da Otan, o gabinete de Hollande informou na quarta-feira que a França adiaria a entrega do primeiro navio. O governo francês acusou a Rússia de cometer ações na Ucrânia que vão "contra as bases da segurança na Europa".

Durante o governo do presidente Jacques Chirac, a França, assim como a Rússia, se opôs à invasão do Iraque em 2003, liderada pelos Estados Unidos, para derrubar o regime de Saddam Hussein.

(Reportagem de Katya Golubkova)

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