Russos avançam; Geórgia recua tropas para defender capital

Exército russo abre frente na fronteira oeste e controla Gori; presidente georgiano pede ajuda

Lourival Sant'Anna, de O Estado de S.Paulo,

12 de agosto de 2008 | 01h01

A Rússia lançou nesta segunda-feira, 11, pela primeira vez uma ampla ofensiva terrestre dentro do território da Geórgia - até então, as operações se restringiam às províncias separatistas da Ossétia do Sul e da Abkházia. Ignorando os pedidos de cessar-fogo feitos pelo Ocidente, tropas de Moscou entraram em duas frentes: a oeste, através da Abkházia, onde ocuparam duas cidades, Zugdidi e Senaki, e o porto de Poti. Outra estratégica cidade atacada foi Gori, próxima da fronteira com a Ossétia do Sul.   Veja também Ouça o relato de Lourival Sant'Anna  Roberto Godoy e Cristiano Dias comentam o conflito Imagens feitas direto da capital da Geórgia  Bush condena 'brutal violência' russa na Geórgia Rússia abre 2ª frente de batalha na Geórgia  Entenda o conflito separatista na Geórgia Professor comenta a situação no Cáucaso  Galeria de fotos do conflito    A ofensiva levou o presidente georgiano, Mikhail Saakashvili, a pedir uma "intervenção internacional" e declarar que suas tropas estavam se retirando das zonas de conflito para defender a capital, Tbilisi.   Saakashvili afirmou que os russos já controlam a cidade de Gori, a apenas 80 quilômetros de Tbilisi, um importante entroncamento viário que liga o leste e o oeste da Geórgia. Com a ocupação de Gori, a Rússia cortou a comunicação entre os dois lados do país e se aproximou da capital.   "O Exército georgiano está recuando para defender Tbilisi", disse Saakashvili. "O governo está pedindo uma intervenção internacional em caráter de urgência para impedir a queda da Geórgia."   Apesar de várias testemunhas confirmarem a tomada de Gori, Moscou nega que tenha controlado a cidade. A única ocupação reconhecida pelo Kremlin é a de Senaki. Mas, segundo o Ministério da Defesa da Rússia, suas tropas já teriam deixado a localidade após terem "eliminado" todas as possibilidades de as forças georgianas usarem o local como base para ataques à Abkházia. Em Zugdidi, os russos tomaram delegacias de polícia e prédios do governo local. A Geórgia afirma ainda que a Rússia teria tomado o porto de Poti, no Mar Negro - informação também negada por Moscou.   A agência russa Interfax informou que forças na Abkházia iniciaram na madrugada desta terça-feira, 12, uma operação para expulsar os soldados georgianos do desfiladeiro de Kodori, a única área na república separatista ainda sob controle da Geórgia.   O presidente francês, Nicolas Sarkozy, chega nesta terça-feira a Tbilisi para tentar mediar um acordo entre Geórgia e Rússia. Na segunda-feira, Saakashvili assinou o esboço de um cessar-fogo proposto pelos chanceleres da França, Bernard Kouchner, e da Finlândia, Alexander Stubb.   O presidente da Rússia, Dmitri Medvedev, disse que a ofensiva não terminará enquanto a Geórgia continuar atacando a Ossétia do Sul. Saakashvili afirma que declarou uma trégua unilateral e cessou todas as operações militares contra a província rebelde. Mas jornalistas da agência de notícias Reuters e da rede CNN confirmaram que helicópteros georgianos lançaram bombas na segunda-feira sobre alvos na capital ossétia, Tskhinvali.   Mobilização   Embora ainda não tenha assumido abertamente a invasão da Geórgia, a Rússia afirmou ter mobilizado na Abkházia mais de 9 mil pára-quedistas e 350 tanques, veículos blindados e peças de artilharia para evitar ataques às duas províncias. Os comandantes militares russos admitiram também a perda de 4 aviões e a morte de 18 soldados.   Ao todo, em quatro dias de conflito, cerca de 2 mil civis morreram, segundo a Rússia. De acordo com o governo em Tbilisi, o número de vítimas seria menor: 130 civis georgianos mortos e 1.165 feridos. Os dois lados se acusam mutuamente de realizar uma "limpeza étnica" na região.   A situação na capital georgiana era calma na segunda-feira. Apenas alvos militares foram atacados pelos russos na cidade, como uma fábrica de aviões e uma instalação de radares.

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