Russos protestam contra Putin após eleições

Dezenas de milhares de manifestantes protestaram em toda a Rússia, no sábado, para exigir o fim do governo de Vladimir Putin e reclamar sobre a suposta fraude eleitoral, na maior demonstração de resistência desde que ele assumiu o poder, há mais de uma década.

GUY FAULCONBRIDGE E STEVE GUTTERMAN, REUTERS

10 de dezembro de 2011 | 10h31

Protestos eram previstos em todas as cidades, de Vladivostok, na costa do Pacífico, até Kaliningrado, quase 7.400 quilômetros ao oeste, no que já é o maior protesto da oposição desde que Putin assumiu o poder em 2000.

Em Valdivostok, cidade portuária onde o partido de Putin, o Rússia Unida, foi derrotado pelos comunistas nas eleições parlamentares de sábado passado, os manifestantes seguravam cartazes dizendo: "Somos contra falsificações em massa!" e "Os ratos devem partir!"

Os organizadores disseram que cerca de mil pessoas desafiaram as temperaturas de inverno para protestar, mas a polícia disse que o número era bem menor. Cerca de 20 pessoas foram detidas em Khabarovsk, uma cidade de quase 580.000 habitantes a cerca de 30 quilômetros da fronteira com a China, segundo a Agência de notícias RIA.

Pelo menos 15 mil pessoas protestaram na Praça Bolotnya, um grande espaço aberto, do outro lado Kremlin, à margem do Rio Moscou, e até 1.500 pessoas se reuniram perto de uma estátua do líder comunista, Karl Marx, a alguns passos das paredes vermelhas do centro de poder da Rússia, disseram testemunhas.

Os manifestantes em Moscou agitavam fotos de Putin e do presidente Dmitry Medvedev dizendo: "Pessoal, está na hora de ir embora."

As manifestações são um teste da habilidade da oposição de transformar a indignação em relação ao resultado das eleições de 4 de dezembro, que ela diz que foram manipuladas a favor do Partido Rússia Unida, num protesto nacional que pode minar o plano de Putin de voltar à presidência em 2012.

"Essa é a história sendo feita na Rússia. As pessoas estão saindo para exigir justiça pela primeira vez em duas décadas, justiça nas eleições," disse um funcionário do setor financeiro, de 41 anos, que estava na Praça da Revolução e disse que seu nome era Anton.

Como outros manifestantes, ele usava uma fita branca que ele disse que representava os dissidentes. Na Praça Bolotnaya, pessoas de todas as idades se reuniram, muitas usando cravos brancos que eles disseram que era o símbolo do seu protesto.

Também houve relatos de protestos em outras grandes cidades, incluindo Arkhangelsk, no norte do Ártico e nas cidades siberianas de Barnaul, Novosibirsk, Omsk, Irkutsk e Krasnoyarsk.

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