Saída da Rússia de pacto antiarmas preocupa Otan

Decisão russa é retaliação aos planos dos EUA de instalar escudo anti-míssil na Polônia e na República Checa

Reuters e Efe,

16 Julho 2007 | 15h10

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) disse nesta segunda-feira, 16, estar muito preocupada com a decisão da Rússia de suspender sua participação num tratado histórico que limita as forças armadas na Europa pós-Guerra Fria. O presidente russo, Vladimir Putin, assinou um decreto na sexta-feira suspendendo a adesão do país ao pacto das Forças Convencionais na Europa (CFE), numa aparente retaliação aos planos norte-americanos de instalar parte de seus sistema de interceptação de mísseis na Polônia e na República Checa. "O anúncio da Federação Russa ... é uma decepção enorme. Os aliados estão muito preocupados com essa decisão unilateral", disse a Otan, aliança militar que conta com 26 países. Nesta segunda, o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e o chefe de Estado polonês, Lech Kaczynski, defenderam a isntalação do escudo. Em entrevista após uma reunião no Salão Oval da Casa Branca, Bush descreveu o escudo, que recebeu críticas da Rússia, como "um símbolo" do desejo "de trabalhar em favor da paz e da segurança". Bush acrescentou que o sistema protegerá a Europa de riscos que "possam surgir de partes do mundo onde seus líderes não gostam" do modo de vida da Europa e dos EUA "e estão em processo de tentar desenvolver armas de destruição em massa". Por sua vez, o presidente polonês afirmou que o projeto tem como fim "defender as democracias contra os países que podem fabricar ou já têm armas nucleares ou de destruição em massa". 'Guerra Fria'   Eduard Shevardnadze, ex-ministro das Relações Exteriores da Rússia que ajudou a fechar o pacto, em 1990, chamou a medida de Putin de um primeiro passo para uma nova Guerra Fria. Mas uma fonte militar russa insistiu que Moscou não pretende fazer nenhuma mobilização visando o Ocidente depois de deixar o tratado.   Os Estados Unidos asseguram que o sistema está pensado para possíveis casos de ataque por países como o Irã. A Otan afirmou valorizar muito o regime do CFE, que limita o número de armas pesadas instaladas entre o Atlântico e os montes Urais. Uma fonte da Otan disse que a maioria dos aliados acredita que a medida de Putin é acima de tudo simbólica. A Rússia vai encerrar formalmente suas obrigações com o pacto em 13 de dezembro, disse a fonte à Interfax, a menos que os países da Otan ratifiquem o acordo até lá, o que é pouco provável. O CFE foi assinado em 1990 para evitar um conflito entre a Otan e o Pacto de Varsóvia, comunista. Depois, foi emendado em 1999 para incluir o colapso do bloco comunista. Rússia, Cazaquistão, Belarus e Ucrânia foram os únicos países a ratificar a versão atualizada do pacto. Os outros membros da Otan recusaram-se a ratificá-lo enquanto a Rússia não retirasse as tropas da Moldávia, como prometeu em 1999.

Mais conteúdo sobre:
MUNDO RUSSIA OTAN PREOCUPADA

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.